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Qual o legado do nosso camarada Dielson?

O padre Cláudio Bergamaschi (foto) foi fundamental na formação de Dielson Rodrigues. Ambos fazem parte de um mesmo processo de comunhão social. (Imagem: Acervo rede)

“Comungar é tornar-se um perigo. Viemos pra incomodar.” Para falar da herança política deixada por Dielson Rodrigues, ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão, precisamos falar da palavra comunhão.

Precisamos tratar da comunhão enquanto união, da junção e da organização de uma classe social específica.

Por isso, começamos este texto registrando duas frases dos versos que acompanham a canção Se Calarem a Voz dos Profetas, do compositor cristão Antônio Cardoso, que fala exatamente da comunhão que incomoda…

(Ouça a música, no final deste texto)

A tal conciência…

Dielson era cristão da Teologia da Libertação, que faz opção pela luta e pela dignidade dos pobres. Ele nasceu na zona rural do município de São Mateus, sendo um dos inúmeros maranhenses criados em uma casa de taipa.

Anos depois, já tendo sido aprovado em um concurso público, tornado-se funcionário do Banco do Brasil e vivendo em um padrão social diferente daquele em que nasceu e foi criado, ele não esqueceu o povo do qual fazia parte.

Dielson foi um trabalhador que nunca abandonou seu povo, mantendo-se em comunhão, atuando na sua organização e luta. Ele teve a necessária consciência de classe.

Sua formação, oriunda das pastorais sociais e das Comunidades Eclesiais de Base, teve a influência direta de sua mãe, dona Maria Ozita Rodrigues Silva, e do padre Cláudio Bergamaschi.

Dona Maria Ozita (foto), Dielson e o padre Cláudio Bergamaschi seguirão presentes na comunhão do povo. (Imagem: Acervo rede)

Identidade definida

Num país como o Brasil, historicamente marcado pela violência e pela desigualdade, Dielson entendeu que a união do povo era o caminho possível para se alcançar, coletivamente, paz e justiça social.

A ideologia financiada por gente muito rica e violenta tenta destruir a identidade de classe desse mesmo povo, exatamente para nos desunir e seguir impondo desigualdade e violência.

Essa gente rica, que lucra milhões e mantém seus privilégios às custas da exploração e da exclusão social, estimula o individualismo para impedir a luta coletiva, que sempre é vista por esses escravocratas como um enorme perigo a ser combatido, uma ameaça aos seus privilégios.

A comunhão de Dielson

Quem conviveu com Dielson Rodrigues sabe que ele sempre falava da classe trabalhadora. E, mais do que falar, ele agia concretamente por nossa união e organização, atuando em favor do que ele considerava uma necessária comunhão política.

E foi assim que ele deu sua valiosa contribuição ao Sindicato dos Bancários do Maranhão, onde começou organizando-se na base, tornando-se, depois, secretário-geral, presidente e coordenador financeiro.

Dielson Rodrigues em um de seus dias de luta em favor da classe trabalhadora. As sementes são espalhadas ao longo do processo. (Imagem: Acervo Rede)

No entanto, exercendo o poder no Sindicato, Dielson não se preocupou apenas com sua categoria. Além de trabalhar diariamente (muito!) pelos diferentes direitos de bancárias e bancários, ele não abandonou nem perdeu de vista os direitos de toda a classe da qual fazia parte.

Elas estão aqui!

E agora? Para nós, que conhecemos, convivemos, sonhamos e lutamos junto com Dielson Rodrigues, o que fica? Acabou? É só saudade?

Dielson faleceu no último dia 20 de julho, em um acidente de carro, quando viajava de São Mateus para São Luís. Sua mãe, dona Maria Ozita, sua grande referência, estava com ele no carro e também faleceu. O trágico acidente provocou um abalo geral.

Ao falar da partida dos dois, lembramos do educador Paulo Freire, que um dia se definiu como um agricultor que semeava ideias.

Vivemos hoje em um ambiente onde ideias nocivas, que pregam o acúmulo irracional de dinheiro, ameaçam a vida no planeta. São ideias bem diferentes das que foram semeadas por Paulo Freire, que transitam pela Teologia da Libertação.

Nossa existência está inserida nesse complexo e misterioso processo, marcado por conflitos e violências.

Nele, pessoas como Maria Ozita, Cláudio Bergamaschi, Dielson Rodrigues e tantas outras são sementes que estarão ali sempre que houver pessoas em comunhão, lutando em favor da vida, da paz com justiça social.

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