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Pré-carnaval do Maranhão: denúncia trata de racismo, transfobia e censura

A denúncia se refere a um camarote localizado na Avenida Litorânea, no circuito Vem Pro Mar, realizado pelo Governo do Maranhão. O camarote pertence à empresa 4 Mãos Entretenimento. (Foto: Governo do Estado)

Uma denúncia de racismo e transfobia ocorrida durante o pré-carnaval de São Luís do Maranhão estaria sendo silenciada neste início de 2026.

A denúncia envolve a empresa 4 Mãos Entretenimento, responsável pela comercialização de camarote na Avenida Litorânea, no circuito Vem Pro Mar. É o mesmo local onde o Governo do Maranhão vem realizando milionários eventos pré-carnavalescos.

A 4 Mãos Entretenimento é também a empresa responsável por trazer a banda Guns N’ Roses para se apresentar em São Luís, em abril, em um megashow com o apoio do Governo do Maranhão.

Denúncia envolve a empresa 4 Mãos Entretenimento, que promove grandes eventos no Maranhão, incluindo o megashow da banda Guns N’ Roses, que será realizado com o apoio do Governo do Estado.

O episódio relacionado à denúncia ocorreu no dia 25 de janeiro. Sobre o caso, foi feito boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, além de uma notificação extrajudicial.

Entrevista ao vivo

A denúncia de racismo e transfobia foi feita pela advogada Sandra Magalhães, que afirma ter sido alvo de ambos os crimes no camarote da 4 Mãos.

A Agência Tambor entrevistou Sandra no programa Dedo de Prosa, no dia 4 de fevereiro. A entrevista foi realizada com base no boletim de ocorrência e na notificação extrajudicial.

Com base no boletim de ocorrência e na notificação extrajudicial, a Agência Tambor realizou entrevista para ouvir a denúncia.

Na entrevista, feita ao vivo, ela relatou o silenciamento por parte de tradicionais veículos da imprensa maranhense, citando uma emissora de televisão e um jornal impresso.

A advogada preferiu não divulgar os nomes dos veículos, mas afirmou que ambos cancelaram a cobertura do caso, inclusive desmarcando entrevistas que teriam sido previamente agendadas.

O banheiro

Na entrevista à Agência Tambor, Sandra Magalhães afirmou que a violência ocorreu enquanto ela estava no camarote Stage, de propriedade da 4 Mãos. Ela relatou que tentou acessar o banheiro feminino, mas foi barrada por um segurança, que a direcionou ao banheiro masculino.

Sandra, que é uma mulher cis, esteve acompanhada, na entrevista para a Tambor, pela advogada Scarllet Abreu, presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-MA, que também falou sobre o assunto.

Scarllet disse que situações como essa revelam uma violência estrutural ainda naturalizada. “Impedir o uso de um banheiro com base em aparência ou identidade é uma conduta criminosa”, afirmou.

A presidente da Comissão destacou ainda a responsabilidade de empresas privadas. “É dever dos organizadores capacitar equipes e prevenir violações. Não se pode tratar esse tipo de episódio como algo isolado”.

Sobre violência

Sandra aponta que a abordagem teve também um componente racial. “Antes da transfobia, houve um julgamento pela cor da minha pele. Meu corpo foi lido como inadequado, fora do padrão, e isso tem nome: racismo”, afirmou.

Segundo a autora da denúncia, “a situação foi humilhante” e lhe causou forte impacto emocional. Ela afirma ter adoecido após o episódio e iniciado acompanhamento psicológico.

Sandra disse que, após o ocorrido no camarote da 4 Mãos, um representante da empresa tirou o segurança do local. Além disso, ele lhe deu uma garrafa de uísque como pedido de desculpas.

Situação é trágica

A questão levada por Sandra Magalhães à Polícia Civil do Maranhão, e que buscou, em seguida, espaço no jornalismo local, trata de temas muito, muito, muito sensíveis na sociedade brasileira.

Quando se fala de racismo, registramos que ser uma pessoa negra no Brasil faz você enfrentar um risco 2,7 vezes maior de ser vítima de homicídio do que uma pessoa não negra.

Combate ao racismo é prioridade absoluta. O problema segue provocando inúmeras mortes. (Foto: Rede)

A constatação faz parte do Atlas da Violência, divulgado no dia 12 de maio de 2025. O trabalho é elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2024, entre as pessoas mortas por ações das polícias em nove estados do Brasil, 86% foram negras. Os dados fazem parte do relatório “Pele Alvo: crônicas de dor e luta”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança. Os estados pesquisados foram Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Vergonha internacional

O Brasil segue em primeiro lugar no ranking de países que mais matam pessoas transexuais e travestis no mundo, com 80 assassinatos registrados em 2025.

A frase explica a tragédia. Combate a transfobia é prioridade absoluta. (Foto: Rede)

Os dados são da última edição do dossiê feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

O resultado representa queda de cerca de 34% em relação ao ano anterior, que registrou 122 crimes desse tipo, porém não tira o Brasil do topo do ranking, posição que ocupa há quase 18 anos.

O outro lado

No dia 4 de fevereiro, mesma data em que a advogada Sandra Magalhães nos concedeu a entrevista, a Agência Tambor entrou em contato com a empresa 4 Mãos Entretenimento por e-mail.

Solicitamos o posicionamento da empresa sobre o caso.

Não tivemos resposta.

Dois dias depois, em 6 de fevereiro, enviamos mensagem pelo Instagram.

Até o momento, não houve retorno.

Por telefone, também não conseguimos.

Caso a empresa queira se manifestar, a Agência Tambor registrará a posição da 4 Mãos Entretenimento.

Com informações da Agência Brasil.

[Assista na íntegra a entrevista de Sandra Magalhães e Scarllet Abreu, presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-MA, no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.]

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