“Talvez o prefeito Eduardo Braide nem saiba dos absurdos que estão sendo cometidos dentro da Secretaria Municipal de Educação de São Luís contra um grupo imenso de professoras.”
A declaração é de uma pedagoga que ocupava o cargo de diretora em uma escola da rede municipal de São Luís e que foi demitida em dezembro.
A Agência Tambor foi procurada por um grupo de professoras para tratar da demissão de mais de cem diretoras de escolas, que, segundo elas, ocorreu “de forma desumana”.
Susto e depressão
De acordo com as professoras demitidas, “até hoje ninguém sabe qual foi o critério para o afastamento, ocorrido sem qualquer conversa prévia e de forma abrupta. Nós soubemos pelo Diário Oficial”.
A maioria das pessoas demitidas são mulheres, inclusive senhoras com mais de 60 anos. O susto da demissão, somado às dificuldades enfrentadas posteriormente, levou algumas delas a quadros de depressão.
Recebidas em pé
Entre as reclamações do grupo estão relatos de maus-tratos dentro da própria Secretaria Municipal de Educação.
“Existe uma excessiva burocratização no setor de Recursos Humanos. Somos atendidas em pé”, afirmam as professoras, que também denunciam a morosidade no pagamento das indenizações às servidoras demitidas.
Segundo o grupo, diretoras exoneradas que são servidoras efetivas (estáveis) estariam tendo negada até mesmo a realocação em escolas onde já atuaram anteriormente como gestoras.
Ainda de acordo com as professoras, algumas das demitidas estavam a pouco tempo da aposentadoria, e nenhuma teria sido aproveitada em outra função dentro da rede municipal.
O seletivo e as braidetes
Outro ponto levantado pelo grupo foi o seletivo simplificado para a formação de banco de gestor escolar, cujo edital foi lançado pela Prefeitura de São Luís em outubro do ano passado.
O seletivo foi realizado e, segundo as professoras que procuraram a Agência Tambor, “houve casos de pessoas reprovadas” que foram nomeadas em janeiro como diretoras de escola no município, substituindo as antigas gestoras.
Por fim, uma questão que chamou a atenção da nossa reportagem é o fato de várias dessas servidoras possuírem registros fotográficos ao lado do prefeito Eduardo Braide, inclusive durante o período de campanha eleitoral. Elas eram chamadas de “braidetes”.
O outro lado
A Secretaria Municipal de Educação de São Luís (SEMED) esclarece que a exoneração coletiva de diretores e diretores adjuntos, publicada no Diário Oficial do Município em 30 de dezembro de 2025, ocorre em cumprimento à Lei nº 14.113/2020, que regulamenta o novo Fundeb, especialmente no que se refere às exigências da complementação VAAR.
A legislação federal determina que os cargos de gestão escolar sejam ocupados por profissionais selecionados com base em critérios técnicos de mérito e desempenho. Para atender a essa exigência, o Município realizou um Processo Seletivo Simplificado (Edital nº 01/2025), que resultou na formação de um Banco de Gestores Escolares.
Os profissionais exonerados são gestores que integravam o quadro da SEMED, mas não participaram ou não foram aprovados no processo seletivo. Já os novos nomeados são candidatos aprovados nesse processo, conforme determina a normativa federal.
A medida tem como objetivo garantir a adequação da rede municipal às regras do Fundeb, assegurar a continuidade dos recursos para a educação básica e fortalecer a gestão escolar com base em critérios técnicos. A SEMED ressalta que a decisão não possui caráter punitivo ou pessoal e não compromete o funcionamento das unidades escolares.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a qualidade da educação pública no município.