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Mulheres ocupam as telas e ampliam espaço no cinema documental em São Luís

A MIRA, em 2026, destaca especialmente a produção audiovisual realizada por mulheres e tem como tema “Todas as águas correm para o mar”. (imagem: divulgação)

Entre os dias 17 e 20 de junho, São Luís recebe a segunda edição da MIRA – Mostra de Cinema Documental, evento que reúne exibições de filmes, oficinas, debates, rodas de conversa e atividades culturais voltadas à valorização do cinema documental brasileiro. Neste ano, a programação destaca especialmente a produção audiovisual realizada por mulheres e tem como tema “Todas as águas correm para o mar”.

Com atividades gratuitas distribuídas em diferentes espaços culturais da capital maranhense, a mostra busca ampliar o acesso ao cinema, fortalecer a formação de público e promover o encontro entre realizadoras, pesquisadores, estudantes e espectadores. A programação inclui produções maranhenses e de outras regiões do país, além de ações formativas e atividades voltadas para crianças.

Mulheres no centro da programação

Segundo a coordenadora de programação e curadora da mostra, Ingrid Barros, a edição de 2026 foi construída a partir da reflexão sobre as trajetórias femininas no cinema documental brasileiro.

“Todas as águas correm para o mar faz referência às nossas mulheres dentro do cinema documental”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa.

[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

De acordo com a curadora, a proposta é destacar realizadoras que abriram caminhos para as novas gerações e reconhecer contribuições que muitas vezes foram invisibilizadas ao longo da história do cinema nacional.

Uma das homenageadas desta edição é a cineasta paraibana Antônia Ágape. Ingrid lembra que a diretora teve parte de sua trajetória marcada pelo apagamento profissional e só décadas depois teve uma obra concluída e reconhecida pelo público.

“Pensamos nessas mulheres que vieram primeiro, que abriram caminhos para quem faz cinema hoje”, explicou.

Cinema documental como memória e registro

A mostra nasceu com o objetivo de fortalecer o documentário como linguagem cinematográfica própria. Para Ingrid Barros, o formato ocupa um papel importante na preservação de memórias, na valorização de territórios e na construção de narrativas sobre a realidade brasileira. “A MIRA é dedicada precisamente à valorização do cinema documental”, destacou.

Entre as exibições, a mostra conta com o lançamento do filme “Aqui não entra luz”, de Karol Maia (Imagem: Divulgação/Mostra Mira)

Além de promover produções nacionais, o evento também busca inserir o cinema maranhense em um diálogo mais amplo com a produção brasileira contemporânea.

Segundo a curadora, a intenção não é tratar os filmes locais apenas como obras regionais, mas como parte integrante da cena nacional do documentário.

Formação de público e acesso à cultura

Um dos eixos centrais da programação é o trabalho de formação. A mostra realiza oficinas de fotografia, distribuição audiovisual e narrativas documentais, além de atividades específicas para crianças.

A iniciativa também mantém o projeto Cine Nerê, que mobiliza estudantes de escolas de regiões periféricas para sessões especiais de cinema. “Temos um papel muito fundamental na formação de público”, afirmou Ingrid.

A programação inclui ainda masterclasses, rodas de conversa com cineastas e debates sobre produção audiovisual realizada por mulheres.

Ocupação de espaços culturais da cidade

As exibições acontecem principalmente no Teatro da Cidade e no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, conhecido como Centro Cultural Humberto de Maracanã, ambos localizados na região central de São Luís.

Segundo a organização, a escolha dos espaços busca facilitar o acesso do público e integrar o evento ao calendário cultural do período junino. “Acho que a Mostra MIRA tem o intuito de se encaixar dentro do calendário da cidade e criar uma experiência para as pessoas”, disse a curadora.

A programação também inclui o projeto MIRA Visita, que neste ano levará participantes ao Barracão do Boi da Floresta, no Quilombo Liberdade, promovendo encontros entre cinema e cultura popular maranhense.

Cinema, cultura popular e políticas públicas

Além do destaque para o audiovisual, a mostra estabelece conexões com manifestações culturais tradicionais do Maranhão. O encerramento contará com atividades culturais, apresentações artísticas e participação de grupos ligados à cultura popular.

Para Ingrid Barros, essa aproximação é natural para quem produz a mostra. “Não tem como fazer a desconexão entre cinema e cultura”, afirmou.

A curadora também ressaltou a importância das políticas públicas de incentivo à cultura para a realização do evento. “A Mostra MIRA só acontece por conta dos editais e das políticas públicas de incentivo”, declarou.

Com entrada gratuita na maior parte das atividades, a expectativa da organização é ampliar o público da mostra e consolidar o evento no calendário cultural maranhense.

“Esperamos que as pessoas participem, que a gente tenha salas cheias e consiga formar público para o cinema no Maranhão”, concluiu Ingrid Barros.

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