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Marcha da Periferia volta às ruas de São Luís por reparação e resistência negra

Marcha da Periferia acontece no bairro da Liberdade, em São Luís: o maior quilombo urbano do Brasil (Imagem: Acervo Rede)

Das vielas da Liberdade ecoa um chamado por justiça. No dia 30 de novembro, a Marcha da Periferia volta à São Luís — um ato político e cultural que, há 19 anos, transforma dor em resistência e ocupa as ruas em nome da reparação histórica do povo negro.

A atividade acontece no no Quilombo Liberdade, em São Luís. A mobilização traz como tema central este ano a “Reparação Histórica”, e reforça o papel das periferias e dos territórios quilombolas na luta contra o racismo e o genocídio da população negra no Brasil.

O evento que marca o encerramento do Novembro Negro, acontece em um momento de grande tensão social. Segundo o professor e articulador da marcha, Hertz Dias, o recente massacre ocorrido no Rio de Janeiro coloca a pauta racial “em outro patamar de responsabilidade”.

“O que vimos foi mais uma expressão do genocídio negro no país. A Marcha da Periferia vem justamente para denunciar isso e exigir reparação histórica”, afirma.

A Marcha da Periferia nasceu em São Luís como uma resposta à violência e à fragmentação dos bairros periféricos (Imagem: Acervo Marcha Periférica)

Criada a partir do movimento hip hop e das lutas populares, a Marcha da Periferia nasceu em São Luís como uma resposta à violência e à fragmentação dos bairros periféricos. “Na época, o bairro da Liberdade era dividido. Começamos a dialogar com os moradores e a mostrar que o inimigo não estava dentro da comunidade, mas fora dela”, recorda Hertz.

O Quilombo Liberdade, escolhido como ponto de concentração da marcha, é considerado o maior quilombo urbano do Brasil — e, segundo o professor, símbolo da resistência negra no Maranhão.

“A Liberdade representa luta e resistência. É uma periferia próxima do centro, mas historicamente criminalizada. Fazer a marcha aqui é afirmar o direito à vida e à dignidade do nosso povo”, ressalta.

A reparação histórica, tema desta edição, é uma reivindicação antiga do movimento negro. Hertz explica que a bandeira ganhou força internacional após a Guerra Civil norte-americana e continua atual no Brasil.

“A burguesia reconhece que cometeu o maior crime da história — a escravidão — e deve pagar por isso. Isso significa adotar políticas afirmativas, titular terras quilombolas e realizar uma reforma agrária que enfrente as origens da desigualdade”, defende.

Durante a entrevista, o articulador também relacionou a luta antirracista à necessidade de mudanças estruturais no Estado brasileiro. Para ele, é urgente a desmilitarização da polícia e a descriminalização das drogas.

“A PM foi criada para combater o chamado ‘inimigo interno’, que sempre foi o povo negro. E a atual lei antidrogas só aumentou o encarceramento de jovens e mulheres negras”, pontua.

Outro aspecto abordado foi a dimensão cultural da marcha. Para Hertz, música, arte e religiosidade afro-brasileira são formas de resistência. “A cultura é uma arma. Ela também é política e reafirma nossa identidade”, afirma.

A concentração da Marcha da Periferia 2025 será às 15h, em frente ao terreiro de Jorge, no Quilombo Liberdade, com caminhada pelas ruas do bairro e encerramento com apresentações culturais. “Queremos encher o quilombo de gente de dentro e de fora. Esse será um ato histórico, porque o momento exige organização e coragem para enfrentar o racismo e o capitalismo”, conclui Hertz.

A entrevista completa com o professor Hertz Dias foi exibida no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

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