A não recondução do professor Luciano Façanha à direção do Centro de Ciências Humanas, no início de abril, acende um novo foco de tensão dentro da Universidade Federal do Maranhão. (Imagem: Acervo Rede) A decisão do reitor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Fernando Carvalho, de não reconduzir o professor Luciano Façanha à direção do Centro de Ciências Humanas (CCH), no início de abril, acende um novo foco de tensão dentro da instituição. O episódio, isolado entre as reconduções realizadas pela reitoria, passou a ser interpretado por docentes como sinal de fragilidade nos mecanismos democráticos da universidade.
Os docentes avaliam o fato como um possível ato de perseguição política, reacendendo críticas a práticas consideradas autoritárias dentro da estrutura de poder da universidade. A medida também levanta questionamentos sobre o respeito ao resultado de eleições internas e à autonomia universitária.
“É um caso muito autoritário, no nosso modo de ver. Essa decisão desrespeita a comunidade do CCH que elegeu o professor Luciano”, afirmou o professor Luiz Eduardo Neves, presidente da APRUMA. A entrevista foi concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Segundo ele, a situação se torna ainda mais grave porque o mandato de Façanha, eleito em 2022, deveria ser seguido até a realização de nova eleição — que, segundo o estatuto, deveria ter ocorrido no início deste ano. O atraso no processo eleitoral, sem justificativa pública da administração superior, levou à recondução provisória dos diretores — exceto no CCH.
Para o dirigente sindical, a exceção aplicada ao centro indica uma decisão seletiva e politizada. “Se todos fossem substituídos, seria uma decisão questionável, mas coerente. O problema é que houve uma escolha pontual, que atinge justamente um professor que foi adversário político do reitor”, afirmou.
A APRUMA também aponta que o caso não é isolado, mas parte de um padrão mais amplo. Segundo Neves, há um histórico recente de decisões centralizadas na UFMA, com pouca abertura ao diálogo e forte controle das instâncias deliberativas. “Os conselhos superiores são dominados pela administração. Falta debate real com a comunidade universitária”, disse.
Outro ponto de crítica é o modelo de gestão adotado pela universidade, que, segundo o professor, segue uma lógica “empresarialista”, com aumento de carga de trabalho docente e decisões estruturais sem discussão prévia, como a extinção de departamentos. “Foi uma decisão verticalizada, sem diálogo aprofundado”, afirmou.
O caso também reacende o debate sobre o processo democrático interno da universidade. Neves defende a revisão da paridade nas eleições, atualmente com peso de 70% para docentes, 15% para estudantes e 15% para técnicos. Para ele, o modelo não reflete a realidade da comunidade acadêmica.
Além do impacto político, docentes alertam para possíveis efeitos no ambiente acadêmico. “Há um risco à liberdade de pensamento. Professores que não estão alinhados à gestão podem sofrer retaliações”, afirmou o presidente da APRUMA.
Ele também chama atenção para o que considera uma “coincidência” na gestão do CCH: melhorias estruturais, há anos reivindicadas, começaram a ser encaminhadas logo após a mudança na direção. Para o sindicato, isso levanta dúvidas sobre o uso político da gestão administrativa.
O outro lado
A Agência Tambor entrou em contato com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), na busca de esclarecimentos do reitor Fernando Carvalho Silva sobre as denúncias públicas que vêm sendo feitas relacionadas ao professor Luciano da Silva Façanha e ao cargo de diretor do Centro de Ciências Humanas (CCH) da instituição.
[Veja a entrevista de Luiz Eduardo Neves, presidente da APRUMA, ao programa Dedo de Prosa.]