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História antioligárquica — Vale Protestar completa 20 anos

Vale Protestar: uma história que já extrapola as fronteiras do Maranhão. (Imagem: Acervo Agência Tambor)

Em julho de 2026, o Vale Protestar completa vinte anos. Trata-se de um movimento ocorrido em 2006, que ganhou as ruas de São Luís e, num momento seguinte, mobilizou no Maranhão a campanha Xô Rosengana.

O movimento denunciou aspectos fundamentais da estrutura oligárquica do Maranhão, na época sob o controle absoluto de José Sarney, que, desde 1991, exercia mandato de senador pelo Amapá.

A partir do teatro de rua e de uma série de panfletos impressos, o movimento desenvolveu uma poderosa ação de comunicação popular.

Com várias decisões tomadas em praça pública, o Vale Protestar teve autonomia em relação aos partidos e às lideranças políticas tradicionais. Sua história remete a uma ação profundamente antioligárquica. Ela incomoda.

Brasil de verdade

Textos, panfletos e imagens do movimento foram digitalizados e encaminhados para um centro de documentação no Rio de Janeiro, que trabalha com a memória política do país.

Comunicação popular: teatro de rua e panfletos ajudaram a pautar a opinião pública no Maranhão. (Imagem: Acervo Agência Tambor)

Faz parte do acervo encaminhado ao Rio de Janeiro a monografia da arte-educadora Rejane Galeno, intitulada “Vale Protestar: da língua do boi à língua do homem, o teatro como instrumento político”.

Rejane participou das ações de teatro de rua do grupo Vale Protestar, interpretando a personagem Rosengana. Sua pesquisa acadêmica foi apresentada na Universidade Federal do Maranhão.

O centro de documentação acionado se insere em uma linha de trabalho historiográfico que busca revelar aspectos do Brasil real, a partir de acontecimentos que dialogam criticamente com narrativas conservadoras — o mesmo conservadorismo que marginaliza determinadas memórias para promover manipulações e falsificações da história.

Catirinas Famintas

O movimento Vale Protestar foi fundamental para impedir a volta de Roseana Sarney ao governo do Maranhão em 2006. A filha de Sarney, à época, já havia governado o Maranhão por dois mandatos consecutivos.

Além de denunciar a imensa concentração de poder do grupo Sarney, incluindo o controle dos meios de comunicação, o Vale Protestar também abordava as consequências sociais decorrentes desse domínio.

Na época, segundo o IBGE, dois terços da população maranhense viviam abaixo da linha da pobreza, em situação de miséria, sobrevivendo com menos de um salário mínimo por mês. Na encenação teatral, havia as personagens das Catirinas Famintas, além da Rosengana e do Padre de Abadá.

Há vinte anos!

Num período em que a sociedade brasileira ainda não havia sido tragada pelo autoritarismo digital das plataformas, o Vale Protestar caiu na boca do povo a partir do Centro Histórico de São Luís.

Ele começou na Praia Grande, foi até o Desterro (ao Convento das Mercês), chegando de catamarã até a cidade de Alcântara.

De volta a São Luís, o movimento circulou por vários pontos da cidade, incluindo avenidas, semáforos e feiras. No entanto, seu ponto central foi a Rua Grande, com o Vale Protestar transformando a principal rua do comércio da capital maranhense em sua grande rede social.

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