O 69º Conad definiu os rumos da mobilização nacional em defesa da universidade pública, da carreira docente e da gestão democrática nas instituições de ensino superior. (Foto: Apruma/ANDES-SN) A defesa da gestão democrática na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) vai ocupar lugar de destaque na agenda da Associação dos Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma) no segundo semestre. A orientação foi reforçada durante o 69º Conselho do ANDES-SN (Conad), realizado em São Luís, que aprovou uma moção de repúdio às medidas classificadas pela entidade como autoritárias na administração da universidade, segundo o presidente da Apruma, Luiz Eduardo Neves dos Santos.
Além da defesa da gestão democrática na UFMA, o sindicato definiu como prioridades a cobrança pelo cumprimento do acordo que encerrou a greve nacional dos docentes das universidades e institutos federais, em 2024, a recomposição do orçamento das instituições federais de ensino e o enfrentamento ao avanço da extrema direita. As diretrizes foram reafirmadas durante o encontro nacional dos docentes, sediado pela Apruma entre os dias 3 e 5 de julho, em São Luís.
“O Conad é uma espécie de atualização dos nossos planos de luta”, afirmou Luiz Eduardo Neves dos Santos em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Segundo ele, as deliberações aprovadas durante o encontro passam a orientar a atuação da entidade nos próximos meses.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Moção amplia pressão sobre a UFMA
Um dos principais desdobramentos do Conad para o Maranhão foi a aprovação de uma moção de repúdio às decisões recentes da administração da Universidade Federal do Maranhão. O documento, apresentado pela Apruma, critica medidas que a entidade considera incompatíveis com a gestão democrática da universidade.
Entre elas estão o adiamento das eleições para as direções dos centros acadêmicos, a manutenção de diretores pró-tempore indicados pela Reitoria e outras decisões administrativas classificadas pelo sindicato como autoritárias.
Segundo Luiz Eduardo, a Apruma pretende ampliar o debate sobre essas questões ao longo do segundo semestre, promovendo assembleias, atividades públicas e discussões com a comunidade universitária.
“Nós vamos fazer esse calendário e chamar a nossa base para participar das assembleias e dos debates. A Apruma não vai se furtar de se manifestar e de debater questões importantíssimas para os professores da Universidade Federal do Maranhão”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa.
Durante a entrevista, o dirigente também criticou a condução da administração superior da universidade em relação ao debate público sobre essas decisões.
Defesa da universidade pública
As deliberações do Conad também reforçaram a continuidade da mobilização nacional em defesa da universidade pública. Entre as prioridades está a cobrança para que o governo federal cumpra integralmente os compromissos assumidos no acordo que encerrou a greve nacional dos docentes das universidades e institutos federais, em junho de 2024.
Segundo Luiz Eduardo, permanecem pendências que vão além dos reajustes salariais e envolvem medidas administrativas previstas no acordo firmado com o Ministério da Educação e o Ministério da Gestão e da Inovação.

“O ANDES tem feito reuniões periódicas com o governo federal cobrando inclusive pontos do acordo que não foram cumpridos”, afirmou. De acordo com o dirigente, a autonomia sindical será mantida durante esse processo de negociação.
A entidade também pretende intensificar a defesa da recomposição do orçamento das universidades federais e discutir novos avanços para a carreira docente, temas que, segundo o presidente da Apruma, permanecerão entre as principais bandeiras do movimento sindical.
Agenda política
Outro eixo das discussões foi a conjuntura política nacional. Os delegados aprovaram uma resolução de enfrentamento à extrema direita nas eleições deste ano, reafirmando essa orientação como uma das prioridades políticas do ANDES-SN.
Na avaliação de Luiz Eduardo, uma eventual vitória desse campo político poderá representar retrocessos para a educação pública, para os servidores e para os direitos da classe trabalhadora. Segundo ele, o sindicato continuará defendendo candidaturas comprometidas com o fortalecimento das universidades públicas e com a ampliação dos investimentos na educação. As avaliações refletem o posicionamento apresentado pelo dirigente durante a entrevista.
Próximos passos
Após sediar o 69º Conad, a Apruma prepara um calendário de mobilizações para o segundo semestre, com a retomada dos grupos de trabalho da entidade, debates sobre educação pública e acompanhamento das negociações com o governo federal.
Também está prevista a participação da seção sindical em um Conad extraordinário, marcado para novembro, em Brasília, quando serão discutidas questões organizativas e financeiras do ANDES-SN.
“Continuaremos nas ruas, dentro da universidade, lutando por uma universidade pública, gratuita, socialmente referenciada e com recomposição orçamentária”, afirmou Luiz Eduardo Neves dos Santos.
[Veja a entrevista do presidente da Apruma, Luiz Eduardo Neves dos Santos, ao programa Dedo de Prosa.]