A defesa da autonomia universitária e a necessidade de ampliar a participação da comunidade acadêmica nas decisões das instituições federais estiveram no centro do debate “Democracia e Universidade”, promovido pela Apruma. (imagem: Apruma) Os limites da participação da comunidade acadêmica nas decisões das universidades públicas, especialmente na UFMA, ganharam destaque em um debate realizado na última quinta-feira (17), no campus do Bacanga. Questões como eleições para dirigentes, funcionamento dos espaços colegiados e autonomia universitária atravessaram a discussão.
Promovida pela Apruma Seção Sindical, a palestra “Universidade e Democracia” reuniu o reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Carlos Salles, e o presidente do ANDES – Sindicato Nacional, Cláudio Mendonça, docente do Colégio Universitário da UFMA. A professora Arleth Borges, diretora da Apruma, mediou a atividade.
Ao abordar o papel da universidade pública, Salles defendeu que a autonomia não pode ser dissociada da própria existência da instituição. “A universidade autêntica é, por definição, autônoma”, afirmou. Ele também criticou a submissão do ensino superior à lógica de mercado e destacou a universidade como espaço de formação, produção de conhecimento e convivência entre diferentes saberes e experiências sociais.
A democratização interna da UFMA apareceu de forma mais direta na fala de Cláudio Mendonça. O dirigente chamou atenção para a ausência de eleições paritárias ou por voto universal na instituição e defendeu maior participação de docentes, estudantes e técnico-administrativos nos processos decisórios.
O público também levantou questões sobre mudanças na estrutura administrativa da Universidade, funcionamento dos conselhos e dificuldades de participação da comunidade acadêmica. O debate reforçou uma discussão que vem sendo pautada pela Apruma: a democracia universitária não se restringe à escolha de dirigentes, mas também envolve quem participa das decisões cotidianas e em que condições essa participação acontece.