Justiça barra prejuízos a bancários do BB no Maranhão, garante pagamento da PLR em setembro, abona paralisação do dia 20 de setembro e manda banco assinar acordo coletivo sem ressalvas. (imagem: Seeb-MA) Uma decisão judicial obtida pelo Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) levou a um novo desdobramento da greve da categoria. Segundo a entidade, a Justiça determinou que o Banco do Brasil garantisse o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) aos trabalhadores maranhenses ainda em setembro, abonasse a paralisação nacional de 20 de agosto e concluísse a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho sem ressalvas.
Dias depois, o BB ampliou administrativamente parte das medidas para outras bases que permaneceram em greve por mais tempo. Enquanto o conflito com o banco avança para um desfecho, a paralisação continua no Maranhão entre trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco da Amazônia (BASA), onde novas propostas foram rejeitadas.
Justiça barra prejuízos a trabalhadores do BB
A decisão foi proferida na sexta-feira (18), após o SEEB-MA recorrer à Justiça contra medidas adotadas pelo Banco do Brasil depois da greve. Conforme o sindicato, trabalhadores do Maranhão que permaneceram mobilizados até 11 de setembro estavam sujeitos a receber a PLR em momento diferente de empregados de outras regiões.
A Justiça determinou, segundo a entidade, que o pagamento fosse realizado ainda em setembro e também assegurou o abono da paralisação nacional de 20 de agosto, sem descontos ou lançamento de horas negativas. O banco também deveria viabilizar a conclusão da assinatura do acordo coletivo com o sindicato.
“Fomos à Justiça e conquistamos o que era justo e devido aos bancários maranhenses”, afirmou o coordenador-geral do SEEB-MA, Rodolfo Cutrim. A entidade classificava o tratamento dado aos trabalhadores das bases que sustentaram a greve por mais tempo como uma forma de retaliação.
A decisão não determinou, porém, o abono integral dos dias de greve entre 8 e 11 de setembro. O sindicato informou que seguiria buscando medidas para evitar prejuízos aos trabalhadores nesse período.
Banco amplia medidas para outras bases
Na segunda-feira (21), segundo o SEEB-MA, o Banco do Brasil informou que faria o pagamento da PLR e estenderia o abono do dia 20 de agosto às demais bases que assinaram o acordo após 11 de setembro.
O banco também teria garantido que os dias de greve poderiam ser compensados por meio de banco de horas e que descontos já realizados na folha seriam devolvidos. Para o sindicato maranhense, a mudança ocorreu após a decisão judicial e a pressão dos funcionários.
O SEEB-MA voltou a criticar, nesse contexto, a atuação da Contraf-CUT, sustentando que a entidade nacional optou por cobranças administrativas enquanto o sindicato maranhense decidiu judicializar a disputa. A crítica é do SEEB-MA. O material divulgado pela entidade não apresenta manifestação da Contraf-CUT sobre essa avaliação.
Greve continua na Caixa e no BASA
O desfecho no Banco do Brasil não encerra a mobilização no Maranhão. A greve permanece na Caixa Econômica Federal e no Banco da Amazônia, onde os trabalhadores maranhenses rejeitaram as propostas apresentadas pelas duas instituições.
Na Caixa, as divergências envolvem principalmente o Saúde Caixa e questões relacionadas à carreira. No BASA, permanecem impasses sobre valorização profissional, remuneração e benefícios. O SEEB-MA também defende que trabalhadores de outras bases rejeitem as propostas nas assembleias e mantenham a pressão nacional sobre os dois bancos.
Com o encerramento da paralisação nos bancos privados, no Banco do Nordeste e no Banco do Brasil, Caixa e BASA concentram agora os principais focos da greve no estado. O sindicato mantém atos e assembleias enquanto aguarda novos avanços nas negociações.