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Crise no Sampaio: torcida cobra atuação do MP na gestão de Frota

Torcedores denunciam falta de transparência na gestão de Sérgio Frota e cobram explicações.

A crise no Sampaio Corrêa Futebol Clube, dentro e fora de campo, tem mobilizado torcedores que denunciam falta de transparência na gestão do então presidente Sérgio Frota e cobram atuação do Ministério Público.

O descontentamento cresce após a demolição de parte significativa da sede do clube, área que passou a abrigar empreendimentos privados, e diante do desempenho esportivo que levou a equipe à Série D do Campeonato Brasileiro.

Além das críticas à condução administrativa do clube, torcedores pedem mudanças e denunciam a falta de respostas institucionais a questionamentos antigos.

“O Sampaio vive hoje uma crise institucional muito grande, que vai além das quatro linhas”, afirmou Raimundo Castro, professor e membro do movimento “O Sampaio é do Povo”, em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Segundo ele, a situação envolve decisões administrativas tomadas ao longo dos últimos anos, especialmente relacionadas ao patrimônio do clube.

[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

De acordo com Castro, o centro de treinamento do Sampaio, ocupado por décadas, teve grande parte de sua área vendida sem explicações claras à torcida. “Cerca de 80% a 90% do terreno foi vendido sem que ninguém compreendesse como isso foi feito”, declarou. Parte da área hoje é ocupada por empreendimentos, incluindo uma unidade do Grupo Mateus.

O movimento “O Sampaio é do Povo” afirma ter reunido documentos e registros que apontam possíveis irregularidades na negociação. O material foi encaminhado ao Ministério Público em agosto do ano passado e, posteriormente, transformado em inquérito civil.

Apesar disso, os torcedores criticam a demora no andamento do caso. “O procedimento fica indo e voltando, e ninguém investiga de fato. A impressão que passa é de que não há interesse em apurar”, disse Castro. Ele relata que promotores responsáveis pelo caso teriam se declarado suspeitos ao longo da tramitação, o que contribuiu para a paralisação das investigações.

Para o integrante do movimento, a ausência de respostas reforça a desconfiança da torcida. “A gente solicita informações, envia documentos e não obtém retorno. O Ministério Público precisa cumprir seu papel constitucional”, afirmou.

A crise administrativa também se reflete na relação com a torcida. Segundo Castro, há um afastamento crescente dos estádios, motivado pela insatisfação com a gestão e com o momento do clube. “Tem gente defendendo público zero nos jogos. A torcida está indignada”, disse.

As tentativas de mobilização incluem manifestações durante partidas, uso de faixas e ações judiciais. O movimento também busca pressionar as instituições para que avancem nas investigações e deem respostas às denúncias apresentadas.

Castro reafirma que a situação do Sampaio Corrêa é reflexo de problemas mais amplos no futebol maranhense. “É uma crise que se repete há décadas, com falta de transparência e gestão temerária”, avaliou.

O outro lado

A reportagem tentou contato com a diretoria do Sampaio Corrêa pelo email [email protected], informado pela assessoria de imprensa do clube, para comentar as denúncias, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

[Veja na íntegra a entrevista de Raimundo Castro, professor e membro do movimento “O Sampaio é do Povo”, ao programa Dedo de Prosa.]

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