O ritual abre com a jornada pelo “caminho do mato”, seguindo até a Aldeia Centro do Antero. (Foto: @coletivo_pihyy) Entre os dias 26 de abril e 1º de maio, o povo Akroá-Gamella realizou, no Território Indígena Taquaritiua, no município de Matinha (MA), mais uma edição do Ritual de Bilibeu, prática tradicional que reúne diferentes aldeias em um ciclo de atividades coletivas, espirituais e culturais.

A programação, divulgada pelos próprios indígenas, incluiu momentos de preparação, cantorias, pajelança, visitas entre aldeias e ritos conduzidos ao longo de vários dias, culminando em um encerramento simbólico que marca a renovação da vida comunitária.
O Bilibeu é compreendido pelos Akroá-Gamella como um ritual ligado à ancestralidade, à memória e à continuidade do povo. Ao longo dos dias, a mobilização envolve deslocamentos entre aldeias, partilha de alimentos, práticas rituais e encontros intergeracionais, articulando dimensões espirituais e sociais da comunidade.

Um dos pontos centrais do ritual é a circulação de grupos entre as aldeias do território, fortalecendo vínculos e reafirmando compromissos coletivos. Também fazem parte da programação atividades conduzidas por lideranças espirituais, além de momentos voltados à participação de crianças, jovens e anciãos.
O encerramento do ciclo, conforme descrito pelos próprios participantes, simboliza passagem, renovação e continuidade — elementos que atravessam o sentido do ritual dentro da cosmologia Akroá-Gamella.

Realizado anualmente, o Ritual de Bilibeu se mantém como uma das principais expressões culturais e espirituais do povo, reafirmando sua presença no território e a transmissão de saberes entre gerações.