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Crianças e natureza: educação infantil ambiental ganha força no Maranhão

Curso Educação Infantil Ambiental para a Justiça Climática: crianças de um território, infâncias de um planeta O primeiro encontro na Escola Municipal Padre Malagrida, Pólo Morros.

A formação de professoras e professores para aproximar as crianças da natureza tem ganhado espaço no Maranhão por meio do curso de Educação Infantil Ambiental, iniciativa do Ministério da Educação (MEC) voltada para profissionais da educação infantil. A proposta busca estimular práticas pedagógicas que fortaleçam o vínculo das crianças com o meio ambiente desde os primeiros anos de vida.

No estado, a formação reúne educadores de diferentes municípios e recentemente promoveu uma visita ao Instituto Maranhão Sustentável, na Raposa, envolvendo professoras do polo de Morros. A experiência buscou apresentar exemplos práticos de educação ambiental e sustentabilidade aplicados fora do ambiente escolar tradicional.

Segundo a educadora ambiental Avanne Dominici, uma das tutoras do projeto no Maranhão, a iniciativa propõe uma mudança de perspectiva sobre a relação entre seres humanos e natureza. Ela esteve no programa Dedo de Prosa da Agência Tambor falando sobre a iniciativa.

“Esse curso é um convite para que todos nós possamos ter novos olhares”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa. De acordo com ela, um dos principais objetivos é reconhecer que os seres humanos fazem parte da natureza e que a escola pode desempenhar papel fundamental nesse processo de reconexão.

[Veja a entrevista ao final desta matéria.]

Contra os muros da escola

A educadora destacou que uma das referências do curso é o conceito de “desemparedamento”, desenvolvido pela pesquisadora Lea Tiriba. A proposta questiona o modelo de ensino excessivamente concentrado em salas fechadas e incentiva a utilização de espaços externos como ambientes de aprendizagem.

Segundo Dominici, muitas crianças passam grande parte do tempo em ambientes cimentados e pouco conectados aos elementos naturais. Para ela, quintais, jardins e áreas abertas podem funcionar como laboratórios de criatividade, convivência e descoberta.

“O espaço lá fora precisa ser potencializado. A criança gosta de tocar uma folha, pegar uma flor, brincar com água e com terra. Isso é inerente ao ser humano”, destacou.

Educação ambiental diante da crise climática

A entrevistada também relacionou a educação ambiental aos desafios impostos pelas mudanças climáticas. Na avaliação dela, a sociedade precisa repensar hábitos e formas de ocupação do planeta diante do aumento de eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e períodos de escassez hídrica.

Para a educadora, a educação ambiental não se resume a atividades pontuais ou projetos escolares, mas envolve formação crítica, participação social e construção de alternativas sustentáveis para os territórios.

“Nós somos parte do problema, mas também precisamos ser parte da solução”, afirmou.

Ela ressaltou ainda o papel da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) na implementação da Política Estadual de Educação Ambiental, com ações voltadas à formação de professores e ao fortalecimento do protagonismo estudantil em diferentes regiões do Maranhão.

Experiência em Raposa

A visita ao Instituto Maranhão Sustentável foi apontada como um dos momentos mais marcantes da formação. O espaço é reconhecido por desenvolver atividades de educação ambiental, construção sustentável e valorização dos recursos naturais.

Durante a atividade, as professoras conheceram experiências ligadas à construção de moradias sustentáveis, manejo de recursos naturais e implantação de quintais produtivos. A programação também incluiu vivências culturais, dinâmicas coletivas e reflexões sobre práticas pedagógicas voltadas à sustentabilidade.

Segundo Dominici, uma das principais lições compartilhadas pela equipe do instituto foi a importância de agir mesmo diante de limitações estruturais.

“Muitas vezes esperamos as condições ideais para fazer alguma coisa. A grande lição foi perceber que podemos começar com aquilo que temos e fazer diferença na vida das pessoas”, relatou.

Formação que gera frutos

O curso reúne educadores de diferentes regiões do país e, no Maranhão, conta atualmente com polos em São Luís, Morros e Araioses. Além das atividades formativas, a experiência tem estimulado produções coletivas entre os participantes.

Uma dessas iniciativas resultou na elaboração de um livro de poesias inspirado no conceito de biofilia — a conexão afetiva dos seres humanos com a natureza. A obra deverá ser lançada nos próximos meses em um evento organizado pelos próprios cursistas.

Para Avanne Dominici, a construção de uma educação ambiental desde a infância é um passo importante para formar cidadãos comprometidos com o cuidado do planeta.

“O paradigma da contemporaneidade é o cuidado. O cuidado consigo, o cuidado com o outro e o cuidado com o planeta”, afirmou.

[Veja a entrevista na íntegra com a educadora ambiental Avanne Dominici ao programa Dedo de Prosa.]

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