Por atendimento de qualidade e condições dignas de trabalho: SEEB-MA realizou mobilizações envolvendo o Bradesco (Foto 1), a Caixa Econômica Federal (Foto 2) e o Banco do Brasil. (Imagem: Seeb-MA) São Luís têm enfrentado dificuldades crescentes para acessar serviços bancários presenciais. Fechamento de agências, falta de funcionários e problemas na estrutura de unidades bancárias vêm afetando o atendimento ao público.
Diante deste cenário, o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) realizou mobilizações envolvendo a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Bradesco. Embora os casos tenham características distintas, todos apontam para um problema comum: a redução da capacidade de atendimento das agências e seus impactos para trabalhadores e clientes.
Moradores da região do João Paulo
Uma das principais preocupações envolve o anúncio do fechamento da agência Kennedy da Caixa Econômica Federal, previsto para ocorrer em julho. A unidade atende moradores de bairros populosos como Fátima, Monte Castelo, João Paulo, Alemanha, Apeadouro e áreas vizinhas.
Segundo o SEEB-MA, o encerramento das atividades poderá obrigar milhares de clientes a buscar atendimento em outras unidades da capital, aumentando deslocamentos, filas e tempo de espera. O sindicato também alerta para a transferência da demanda para agências já bastante movimentadas, como a agência São Luís, localizada no João Paulo.
A entidade defende que a agência exerce papel estratégico para a região por concentrar serviços bancários essenciais e atendimento a beneficiários de programas sociais. “Caso a decisão de fechar seja mantida, o SEEB-MA adotará outras estratégias em defesa dos clientes, dos bancários e da permanência da agência Kennedy”, afirmou o coordenador Francisco Sousa.
Falta de pessoal afeta atendimento no Banco do Brasil
Outra situação apontada pelo sindicato envolve o Banco do Brasil. De acordo com a entidade, pelo menos cinco agências de São Luís estariam sem atendimento nos caixas presenciais devido à insuficiência de funcionários.
O problema obriga clientes a procurar outras unidades para realizar operações que não podem ser resolvidas nos canais digitais. Na prática, a demanda é deslocada para outras agências, ampliando o fluxo de atendimento e provocando novas filas.
Segundo o coordenador Rodolfo Cutrim, a solução adotada pelo banco tem sido o remanejamento de empregados entre unidades, sem ampliação do quadro de pessoal. “Somente um concurso resolverá esse caos no BB. Ao obrigar os bancários a se equilibrarem entre filas e esteiras, o banco aumenta a sobrecarga e o risco de diferenças de valores nos caixas, jogando na conta dos funcionários um problema que é da instituição”, afirmou.
O sindicato informou ainda que órgãos de defesa do consumidor foram acionados para acompanhar a situação.
Condições de trabalho e atendimento em debate
No Bradesco, a preocupação está relacionada às condições de funcionamento de uma agência localizada no bairro São Francisco. Nesta semana, o SEEB-MA promoveu uma paralisação após o desabamento de parte do forro do pavimento superior da unidade.
De acordo com o sindicato, infiltrações deixaram áreas da agência encharcadas e os reparos realizados no local provocaram forte odor de solvente no ambiente. A entidade sustenta que a situação representava riscos para trabalhadores e clientes.
Entre as preocupações apresentadas estão os impactos sobre pessoas com problemas respiratórios, idosos e duas bancárias gestantes que atuam na unidade.
“Para o Sindicato, a saúde e a segurança de trabalhadores e usuários devem ser prioridade. Por isso, a agência permanecerá paralisada até que sejam restabelecidas condições adequadas para o funcionamento da unidade”, declarou a coordenadora Lívia Morais.
Transformação do sistema bancário
Os três episódios refletem mudanças que vêm ocorrendo no sistema bancário brasileiro nos últimos anos. O avanço dos serviços digitais, a redução de quadros de pessoal e os processos de reestruturação promovidos pelas instituições financeiras têm alterado a rede de atendimento presencial.
Embora os bancos argumentem que parte significativa das operações já pode ser realizada por aplicativos e canais eletrônicos, sindicatos e entidades de defesa dos consumidores alertam que uma parcela importante da população continua dependendo do atendimento presencial, especialmente idosos, pessoas com menor acesso à internet e usuários que necessitam resolver demandas mais complexas.