Fufuca tentou abafar informações sobre a relação de seu pai e padrinho político com o abominável trabalho escravo. (Imagem: Reprodução) Fufuca tentou. Não conseguiu. Ao recorrer à Justiça para impedir o trabalho de um jornalista, o candidato ao Senado pelo Maranhão acabou transformando o episódio em um fato fundamental da campanha.
Agora, a dez dias da eleição, a tentativa de censura judicial e o próprio conteúdo do texto de Ed Wilson Araújo, que deu início ao conflito, são lembrados como elementos de um episódio que expõe a miséria social e política do Maranhão.
Da crítica à tentativa de bloqueio
A tentativa de censura, ocorrida em agosto, repercutiu e ampliou o desgaste político de Fufuca. O jornalista atingido é Ed Wilson Araújo, professor de Comunicação da UFMA, presidente da Associação de Rádios Comunitárias e um dos fundadores da Agência Tambor.

Em seu blog, Ed Wilson afirmou que a trajetória de Fufuca está associada a uma série de problemas sociais e políticos no Maranhão. Diante das críticas, Fufuca não pediu direito de resposta.
O candidato ao Senado preferiu recorrer à Justiça Eleitoral para tentar “remover imediatamente” o artigo intitulado “Fufucar: a miséria da política no Maranhão”. A ação judicial foi apresentada em 2 de setembro. Na mesma data, o pedido foi negado.
Trabalho escravo
Fufuca (PP-MA) começou na política com pouco mais de 20 anos. Foi eleito deputado estadual com o apoio de seu pai, Fufuca Dantas, em um projeto político de caráter familiar.

Fufuca Dantas — pai e padrinho político de André Fufuca — é fazendeiro e foi processado na Justiça Federal, a partir de abril de 2013, por exploração de trabalho escravo em uma de suas fazendas.
Além de fazendeiro, Fufuca Dantas foi prefeito de Alto Alegre do Pindaré e secretário de Estado em um dos governos de Roseana Sarney.
Informações incomodaram!
Além de abordar o tema do trabalho escravo, Ed Wilson afirmou que, “no Congresso Nacional, Fufuca compõe o Centrão, um dos monstros sanguessugas” do povo brasileiro.
O jornalista também lembrou que Fufuca é muito próximo do ex-deputado Eduardo Cunha, que, na presidência da Câmara, teve papel central no processo político que levou Michel Temer à Presidência da República.

Ed Wilson também tratou da expressão “fufucar”, utilizada na campanha de Fufuca para o Senado. Segundo o jornalista, “as constantes mudanças de lado constituem a base do verbo fufucar, que não existe na Gramática, mas pode ser usado para caracterizar traição”.
Vale tudo
Para Ed Wilson, “fufucar” seria “a associação a qualquer um que esteja no poder para se locupletar, negar o próprio discurso e sempre criar situações em benefício próprio”.
O professor Ed Wilson foi direto ao ponto ao afirmar que, “para além de qualquer princípio ético, fufucar é sinônimo de herança familiar entre as elites componentes do modo oligárquico, uma forma de submeter o interesse público aos ganhos pessoais, sempre conduzindo para multiplicar o dinheiro dos ricos e desgraçar a classe média e os pobres”.

Assim, na interpretação de Ed Wilson, no “fufucar”, “os filhotes ganham mandatos para seguir reproduzindo as desigualdades, as injustiças, as violências e a fome no lugar mais miserável do país”.
O artigo de Ed Wilson, publicado no blog edwilsonaraujo.com, está sendo fundamental para romper o silêncio na campanha eleitoral sobre as calamidades políticas que precisam ser informadas e discutidas nos 217 municípios do Maranhão.
O outro lado
A Agência Tambor entrou em contato com André Fufuca pelo e-mail [email protected], buscando seu posicionamento sobre o assunto. Até o momento, não houve resposta. Assim que o deputado se manifestar, a matéria será atualizada com sua posição.
Em tempo: a equipe de reportagem também tentou contato pelo Instagram. No entanto, o perfil está configurado para receber mensagens apenas de contas que André Fufuca segue.