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A greve resiste: bancários do Maranhão sustentam paralisação e pressionam por avanços nacionais

Bancários do Maranhão se mobilizam em frente a uma agência da Caixa durante a greve, que segue no estado após mais de duas semanas de paralisação. Foto: Divulgação/SEEB-MA

Mais de duas semanas depois do início da greve no Maranhão, trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco da Amazônia (BASA) continuam paralisados. O movimento, iniciado no estado antes de parte das demais bases do país, ganhou dimensão nacional e chega a uma nova etapa depois que bancários da Caixa rejeitaram, em assembleias realizadas pelo país, a proposta apresentada durante as negociações.

Segundo Francisco das Chagas Sousa, coordenador da Secretaria-Geral do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), 67% dos trabalhadores da Caixa que participaram das assembleias nacionais rejeitaram o acordo apresentado. Para o sindicato maranhense, o resultado reforça uma posição defendida desde o início da campanha: havia espaço para ampliar a mobilização e pressionar por novas propostas.

“A greve é o último instrumento que o bancário utiliza para que o patrão venha atender às reivindicações”, afirmou Francisco em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Segundo ele, nos demais bancos as negociações chegaram a um ponto em que as categorias decidiram encerrar a paralisação. Na Caixa e no BASA, porém, os trabalhadores avaliaram que os principais impasses permaneciam.

[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Maranhão ajudou a ampliar mobilização

O movimento começou no Maranhão em 8 de setembro. Francisco afirma que o estado, junto com bases do Rio Grande do Norte e de Bauru, em São Paulo, participou de uma articulação para ampliar a paralisação pelo país. Segundo ele, a mobilização contribuiu para que os bancários voltassem a realizar uma greve de alcance nacional, algo que não ocorria desde 2016.

A rejeição da proposta da Caixa é apontada pelo dirigente como um indicativo de que as divergências ultrapassaram as bases que iniciaram o movimento. O SEEB-MA também mantém críticas à condução da campanha por entidades que integram o comando nacional dos bancários, por considerar que a organização da greve deveria ter ocorrido de forma mais ampla desde o início. Essa é uma avaliação do sindicato maranhense.

No Maranhão, a adesão permanece elevada, segundo Francisco. Das quase 70 unidades da Caixa no estado, apenas duas estavam funcionando normalmente no momento da entrevista, realizada em 23 de setembro. No Banco da Amazônia, o dirigente afirmou que praticamente todas as agências estavam paradas total ou parcialmente, algumas mantendo apenas equipes reduzidas para situações consideradas essenciais.

Saúde e carreira mantêm impasse

Embora a campanha tenha reivindicações salariais, o impasse nos dois bancos não se limita ao reajuste. Na Caixa, o Saúde Caixa permanece no centro das negociações. Os trabalhadores questionam mudanças no custeio do plano e defendem condições que, segundo o sindicato, preservem a assistência à saúde como parte dos direitos vinculados ao trabalho.

No Banco da Amazônia, além da assistência à saúde, as negociações envolvem carreira e condições de remuneração. O SEEB-MA afirma que as propostas apresentadas ainda não solucionaram questões consideradas estruturais pelos trabalhadores dos dois bancos.

A discussão retoma um problema que acompanha toda a campanha salarial. Em entrevista anterior ao Dedo de Prosa, o sindicato já havia colocado o adoecimento entre os principais motivos da mobilização, relacionando-o à pressão por metas, à sobrecarga e à redução dos quadros. Agora, com Caixa e BASA ainda em greve, saúde e carreira se consolidaram como os pontos que sustentam a paralisação.

Greve chega também à população

A continuidade do movimento começa a produzir efeitos que ultrapassam a rotina dos trabalhadores. Francisco chama atenção principalmente para o papel desempenhado pelos dois bancos no financiamento habitacional, na concessão de crédito e no apoio a atividades econômicas e produtivas.

A Caixa é uma empresa pública e atua também como auxiliar na execução de políticas do governo federal. O Banco da Amazônia, por sua vez, tem a União como acionista majoritária, com 97% do capital social segundo relatório da própria instituição. Para o sindicato, essa presença pública aumenta a responsabilidade das instituições em buscar uma saída negociada que considere tanto as condições dos trabalhadores quanto a continuidade dos serviços.

Mesmo com as agências paralisadas, Francisco afirma que unidades mantêm trabalhadores para encaminhar situações presenciais consideradas urgentes. O sindicato orienta clientes que necessitem desse tipo de atendimento a procurar a gerência da unidade e apresentar o caso.

O SEEB-MA também cobra maior participação do governo federal nas negociações e mantém atos em São Luís, Imperatriz e outras localidades enquanto não houver acordo. Para o sindicato, a duração da greve aumenta a necessidade de uma solução: quanto mais tempo Caixa e Banco da Amazônia permanecem paralisados, maior tende a ser o impacto não apenas sobre os bancários, mas também sobre usuários e atividades econômicas que dependem dos serviços dessas instituições.

Assista a entrevista de Francisco das Chagas Sousa, coordenador do SEEB-MA, ao programa Dedo de Prosa.]

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