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Bancários do Maranhão aumentam pressão por greve

Mobilização de bancários no Maranhão durante a paralisação nacional de 20 de agosto. Após nova proposta da Fenaban, categoria discute ampliar a pressão e avançar para a greve. (imagem: SEEB-MA)

A campanha salarial dos bancários entrou em uma nova fase de tensão no Maranhão. A categoria passou a discutir a construção de uma greve diante da proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que prevê reajuste de 2,57%, abaixo da inflação, além de congelamento do piso salarial e da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), segundo o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA).

Para o sindicato maranhense, a resposta oferecida pelos bancos não corresponde às reivindicações dos trabalhadores. A entidade defende ampliar a mobilização e critica também a condução da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que, na avaliação do SEEB-MA, mantém as negociações sem organizar uma reação nacional proporcional às propostas apresentadas pela Fenaban.

Assembleia discute possibilidade de greve

Diante do impasse, o SEEB-MA convocou uma Assembleia Geral para esta quinta-feira (27), a partir das 18h, com participação presencial e remota. A categoria vai deliberar sobre a possibilidade de greve no Maranhão. O estado de greve já havia sido aprovado anteriormente pelos trabalhadores.

A convocação ocorre poucos dias antes da data-base dos bancários, em 1º de setembro, e depois de sucessivas rodadas de negociação sem acordo. Para o sindicato, a proximidade da data não pode ser utilizada para pressionar a categoria a aceitar uma proposta que represente perdas.

Proposta mantém perdas para a categoria

Na negociação mais recente, a Fenaban apresentou reajuste de 2,57%. Segundo o SEEB-MA, além de ficar abaixo da inflação, a proposta prevê congelamento do piso salarial e da PLR e alterações em direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.

Em rodadas anteriores, a federação dos bancos chegou a propor reajustes diferenciados por faixas salariais e redução dos tíquetes em determinadas cidades do interior e estados. Parte dessas medidas foi posteriormente retirada, mas, para o sindicato maranhense, os recuos não resolveram os principais pontos da campanha.

O SEEB-MA também critica a estratégia adotada pela Contraf-CUT. Segundo a entidade, enquanto cresce entre trabalhadores de diferentes estados a cobrança por um calendário nacional de mobilizações, a confederação tem priorizado a continuidade das mesas de negociação e ações virtuais. A Fenaban e a Contraf-CUT não apresentaram posição, no material divulgado pelo sindicato, sobre essas críticas.

Sindicato aponta possibilidade de ganho real

Como contraponto à proposta da Fenaban, o SEEB-MA cita a negociação dos trabalhadores do Banco do Estado do Pará (Banpará). Segundo o sindicato, as tratativas incluem reajuste pela inflação acrescida de 2% de ganho real, aumento dos tíquetes e pagamento integral de um 14º tíquete.

Para a entidade maranhense, o resultado mostra que há possibilidade de avançar além da reposição inflacionária e reforça a defesa de que a categoria pressione por uma proposta que preserve o poder de compra e amplie direitos.

Campanha envolve emprego e saúde

A disputa não se restringe ao percentual de reajuste. Bancários também reivindicam reposição das perdas salariais, valorização da PLR, defesa dos postos de trabalho, melhores condições nas agências e medidas de combate ao adoecimento relacionado ao trabalho.

“A luta não pode se limitar a índice e PLR. Os bancários exigem reajuste digno, reposição das perdas, defesa do emprego, combate ao adoecimento, melhores condições de trabalho e respostas às pautas específicas dos bancos públicos”, afirmou o coordenador do SEEB-MA Rodolfo Cutrim.

Nos bancos públicos, existem ainda reivindicações específicas. No Banco do Brasil, trabalhadores cobram o fim do programa Performa. Na Caixa Econômica Federal, defendem o modelo 70/30 de custeio do Saúde Caixa e o fim do teto de 6,5%. No Banco do Nordeste, a reivindicação é pela manutenção da atual regra da PLR. No Banco da Amazônia, a categoria cobra um Plano de Cargos e Salários que valorize a carreira.

Paralisação mostrou capacidade de mobilização

A pressão por uma greve ocorre depois da paralisação nacional de 20 de agosto, que teve forte adesão no Maranhão. De acordo com o SEEB-MA, quase 100% das agências da Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia ficaram fechadas no estado. Na rede privada, houve adesão em unidades do Bradesco, Santander e Itaú.

Em São Luís, os principais piquetes se concentraram na região bancária do Centro, enquanto agências da capital e do interior também participaram do movimento. “Mesmo diante dos boatos sobre corte de ponto e desconto de tíquetes, a categoria não se intimidou. A resposta veio nas agências fechadas, nos piquetes e na adesão expressiva em todo o Maranhão”, afirmou Rodolfo Cutrim.

Para o SEEB-MA, a adesão registrada naquele dia mostrou que existe disposição da categoria para ampliar a pressão. Com a assembleia convocada e a data-base próxima, a discussão agora é se esse movimento avançará para uma greve capaz de pressionar os bancos por uma proposta sem perda salarial e sem retirada de direitos.

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