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Tribunal dos povos em São Luís vai expor denúncias de ecogenocídio no Cerrado maranhense

Expansão do agronegócio sobre territórios tradicionais está no centro das denúncias de ecogenocídio que serão apresentadas em tribunal popular em São Luís. (Imagem: Ibama)

São Luís sediará, entre os dias 5 e 7 de maio, o Tribunal dos Povos do Maranhão contra o ecogenocídio no Matopiba, iniciativa que reúne denúncias de violências socioambientais no Cerrado maranhense e busca pressionar autoridades e empresas por responsabilização.

O encontro será baseado em escutas realizadas entre 2025 e 2026 em diferentes regiões do Maranhão, com participação de lideranças quilombolas, quebradeiras de coco babaçu, agricultores e comunidades tradicionais. As informações foram sistematizadas por organizações sociais, entre elas o Moquibom, que atua na defesa dos territórios.

O material aponta um padrão de violência continuada, marcado por desmatamento, grilagem de terras, perseguições políticas e uso de força para expulsão de comunidades.

As denúncias indicam não apenas a atuação de fazendeiros e empresas do agronegócio, mas também o envolvimento — direto ou por omissão — de órgãos públicos, incluindo governo estadual, prefeituras e integrantes do Judiciário.

Há registros de falhas na fiscalização, concessão irregular de licenças ambientais e ausência de resposta a denúncias feitas pelas comunidades.

Órgãos estaduais e municipais são citados nos relatos, incluindo a Secretaria de Meio Ambiente, mencionada em diferentes territórios por omissões na fiscalização e na apuração de irregularidades.

Outro ponto recorrente é o uso de agrotóxicos em larga escala como mecanismo de pressão sobre as comunidades. Os relatos indicam pulverização por aviões e drones sobre áreas de cultivo, moradias e espaços comunitários, afetando a produção de alimentos e a saúde das famílias.

As escutas também apontam a atuação de agentes políticos locais em disputas territoriais, com tentativas de fragmentação das comunidades para facilitar a apropriação de terras.

Durante o tribunal, serão apresentados cinco casos de diferentes regiões do Cerrado maranhense, com a participação de testemunhas, jurados e promotores populares formados por representantes da sociedade civil.

Os tribunais populares não integram o sistema formal de Justiça e não têm poder de condenação. Ainda assim, funcionam como instrumentos de denúncia pública e pressão política, podendo estimular investigações e ações institucionais sobre os casos apresentados.

A expectativa das organizações envolvidas é ampliar a visibilidade das denúncias e pressionar órgãos públicos e empresas a responder pelos impactos sociais e ambientais na região.

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