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Teia de Povos celebra 15 anos fortalecendo a resistência dos territórios tradicionais no Maranhão

Entre os dias 2 e 6 de julho, o Quilombo Tanque da Rodagem e São João, no município de Matões, sediará o 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. (Imagem: Julia Barbosa)

Em um estado marcado por conflitos fundiários, pela expansão do agronegócio e por reunir o maior número absoluto de localidades quilombolas do Brasil — são 2.025 áreas identificadas pelo IBGE —, povos e comunidades tradicionais voltam a se reunir para fortalecer alianças, compartilhar saberes e construir estratégias coletivas de resistência.

Entre os dias 2 e 6 de julho, o Quilombo Tanque da Rodagem e São João, no município de Matões, sediará o 17º Encontrão da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, que neste ano celebra também os 15 anos de existência da articulação.

Com o tema “Com a força dos troncos velhos, brota a nossa resistência”, o encontro reunirá indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, pescadores, marisqueiras, sertanejos e agricultores familiares em um território que simboliza a resistência frente ao avanço do agronegócio no leste maranhense. Mais do que um evento anual, o Encontrão representa um espaço de fortalecimento político, cultural e espiritual entre comunidades que enfrentam desafios comuns na defesa de seus territórios e modos de vida.

Quinze anos tecendo alianças

Criada há 15 anos, a Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão nasceu para aproximar diferentes povos que compartilham histórias de luta pela terra, preservação dos conhecimentos ancestrais e defesa de direitos. Ao longo dessa trajetória, a articulação percorreu diversos territórios do estado, fortalecendo redes de solidariedade e construindo respostas coletivas às ameaças que atingem comunidades tradicionais.

“A Teia dos Povos tem uma importância muito grande na vida dos territórios porque ela traz a força, a troca dos saberes, dos sabores, a batida do maracá e do tambor. Essas trocas trazem para a gente a certeza de que não está só”, afirmou Raimundo Medonha, comunicador quilombola da Rádio e TV Quilombo, em vídeo de convocação para o Encontrão.

Segundo ele, a escolha do Quilombo Tanque da Rodagem e São João reforça o compromisso da Teia de realizar seus encontros em territórios onde a resistência cotidiana faz parte da história das comunidades.

Um território símbolo da resistência

O Quilombo Tanque da Rodagem e São João reúne as comunidades de Tanque da Rodagem, Macaúba e São João, localizadas no município de Matões, no leste maranhense. Ao longo dos anos, essas comunidades têm enfrentado pressões provocadas pela expansão da fronteira agrícola impulsionada pelo MATOPIBA — região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia onde o agronegócio avançou de forma acelerada nas últimas décadas.

Para a jovem comunicadora popular Clécyane, moradora do território, receber o Encontrão representa dar continuidade à caminhada construída pelas gerações anteriores.

“Para o nosso território este encontro representa resistência, união e continuidade da caminhada dos nossos ancestrais”, afirmou em vídeo divulgado pela organização. Segundo ela, a Teia fortalece a troca de saberes entre os povos e contribui para a construção do bem viver nas comunidades.

A continuidade de uma caminhada

O tema escolhido para esta edição dialoga diretamente com as deliberações do 16º Encontrão, realizado em 2025 na Terra Indígena Taquaritiua, território do povo Akroá Gamella, em Viana.

Na ocasião, cerca de duas mil pessoas aprovaram uma carta política reafirmando a retomada dos territórios como condição para garantir a existência dos povos tradicionais. O documento denunciou as ameaças representadas pelo agronegócio, pela mineração, pelos grandes empreendimentos de infraestrutura, pelos projetos de mercado de carbono e pela grilagem de terras, além de defender o direito à consulta prévia, livre e informada previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em 2025, o encontro contou com cerca de 2 mil participantes, entre indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco, pescadores, marisqueiras, sertanejos e agricultores. (Imagem: Teia Maranhão)

A carta também reafirmou compromissos com a construção de projetos próprios de educação, o enfrentamento às violências contra as mulheres, a valorização dos conhecimentos das anciãs e dos anciãos e o fortalecimento das alianças entre diferentes povos e organizações.

Ao anunciar que o Encontrão de 2026 seria realizado em Matões, a Teia também definiu que esta edição marcaria os 15 anos da articulação. A escolha do tema — “Com a força dos troncos velhos, brota a nossa resistência” — reforça a centralidade da memória, da ancestralidade e da transmissão de saberes como bases da permanência dos povos tradicionais em seus territórios.

Durante cinco dias, o Quilombo Tanque da Rodagem e São João deverá receber participantes de diversas regiões do Maranhão para uma programação construída a partir de rodas de conversa, atividades culturais, celebrações, debates e intercâmbio de experiências, reafirmando que, diante das transformações que pressionam os territórios tradicionais, fortalecer as alianças entre os povos continua sendo uma das principais formas de resistência.

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