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Sindicato leva denúncias contra Alumar ao Ministério Público

Alumar, fábrica da Alcoa em São Luís, é alvo de denúncias do Sindmetal por riscos à segurança, assédio e violações de direitos trabalhistas nas operações. (imagem: Reprodução Alcoa)

O agravamento das relações de trabalho na Alumar/Alcoa levou o Sindicato dos Metalúrgicos do Maranhão (Sindmetal/MA) a buscar mediação do Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA). A entidade afirma que o diálogo direto com a empresa deixou de produzir soluções e denuncia pressão por produção, riscos à segurança, assédio e violações de direitos dos trabalhadores.

O conflito se intensificou depois que, segundo o sindicato, alertas sobre equipamentos, segurança e condições de trabalho passaram a não receber respostas consideradas suficientes. As cobranças remontam à retomada da produção de alumínio no setor de redução, em 2022.

Para o sindicato, a necessidade de recorrer ao MPT evidencia o nível de desgaste das relações de trabalho e a falência dos canais de diálogo com a empresa. Segundo o presidente do Sindmetal, Gerson Silva, a entidade mantinha reuniões periódicas com representantes da Alumar para apresentar problemas encontrados no chão de fábrica.

“De três meses para trás, esse diálogo era apenas como faz de conta, não estava mais dando resultado”, afirmou Gerson Silva em entrevista ao programa Dedo de Prosa. “O que a gente quer é restabelecer o diálogo, mas um diálogo que venha com soluções concretas”, acrescentou.

[Veja entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Segurança no trabalho

O sindicato relaciona parte do atual conflito à retomada do setor de redução, onde é produzido o alumínio em lingotes. A atividade havia sido interrompida em 2015 e voltou a operar em 2022. De acordo com Gerson, antes mesmo da paralisação já havia equipamentos apresentando defeitos e necessidade de manutenção.

Segundo o dirigente, quando a produção foi retomada, o Sindmetal alertou para a necessidade de manutenção e substituição de equipamentos. A operação começou com cerca de 120 cubas e, atualmente, segundo o sindicato, está próxima da capacidade total de 702 unidades. Para Gerson, o aumento da produção veio acompanhado de cobranças maiores sobre os trabalhadores. “A pressão é terrível no chão de fábrica”, afirmou. O sindicato denuncia que supervisores, coordenadores e gerentes cobrariam produtividade mesmo diante de situações consideradas inseguras.

Morte de trabalhador e demissão

Entre os episódios apontados pelo Sindmetal está a morte de um trabalhador ocorrida no fim de julho de 2025. Segundo Gerson, o metalúrgico sofreu um acidente com um equipamento, perdeu uma das pernas e morreu dentro da fábrica. Mais de um ano depois, de acordo com o dirigente, o sindicato ainda não recebeu da empresa um relatório detalhando as circunstâncias do acidente e as medidas adotadas para evitar novos casos.

Outro episódio citado envolve um engenheiro elétrico que atuava na área portuária. Segundo o sindicato, ele teria se recusado a realizar uma operação de carregamento de navio que considerava insegura. Gerson afirma que o sistema normalmente funcionaria com 12 motores de freio e teria oito como número mínimo para operação, mas que o profissional teria recebido ordem para executar o procedimento com apenas dois.

“Como o engenheiro se recusou a fazer, ele foi demitido. E, após a demissão dele, no sábado seguinte aconteceu um acidente no navio”, relatou Gerson. Segundo o sindicato, não houve vítimas, mas foram registrados danos materiais. O caso é apresentado pela entidade como um dos exemplos da pressão exercida sobre profissionais responsáveis por atividades de risco.

Saúde dos trabalhadores

O Sindmetal também denuncia casos de adoecimento e exposição a agentes químicos dentro da fábrica. Segundo Gerson, há registros relacionados a soda cáustica, coque, piche e alumina. O dirigente afirma que o sindicato já custeou exames de trabalhadores fora do Maranhão e que alguns casos resultaram em indenizações na Justiça do Trabalho.

Na avaliação do presidente do sindicato, o problema se agrava quando o trabalhador precisa se afastar. “A Alumar usa o trabalhador como se fosse uma laranja. Ela suga, suga, suga. Quando ele adoece, vai para a Previdência, ela esquece o trabalhador”, afirmou.

Gerson disse ainda que a atual gestão do Sindmetal passou a dedicar maior acompanhamento aos empregados diretos e terceirizados afastados por doenças ou acidentes relacionados ao trabalho.

Possibilidade de paralisação

Uma primeira audiência de mediação já foi realizada no Ministério Público do Trabalho. Segundo Gerson, a segunda está marcada para 24 de setembro, às 9h. O sindicato espera que a Alumar apresente respostas concretas às denúncias e retome um canal efetivo de negociação. Caso não haja avanço, a entidade afirma que poderá recorrer à Justiça e ampliar as mobilizações, incluindo a possibilidade de paralisação com participação de trabalhadores diretos e terceirizados.

Além das questões de segurança e assédio, o sindicato mantém reivindicações econômicas. Entre elas está o auxílio-alimentação previsto para começar a ser pago em janeiro de 2027. Segundo o Sindmetal, a Alumar propõe R$ 350 mensais, enquanto a categoria reivindica R$ 1.200. A entidade também iniciou uma campanha de distribuição de panfletos em São Luís para tornar públicas as denúncias e buscar apoio de outras organizações e instituições.

O outro lado

A equipe de reportagem da Agência Tambor entrou em contato com a Alumar/Alcoa para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas pelo sindicato. Até o momento, a empresa não enviou posicionamento. A matéria será atualizada assim que houver resposta.

[Veja entrevista de Gerson Silva, presidente do Sindmetal, ao programa Dedo de Prosa.]

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