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Omissão do Estado: qualidade do ar volta a atingir nível ‘péssimo’ em São Luís

Em São Luís, o dióxido de enxofre é liberado principalmente pela queima de carvão mineral de grandes empreendimentos industriais instalados na Ilha de São Luís, entre eles Alumar, Eneva e Vale. (Imagem: Acervo Rede)

A qualidade do ar em bairros da região Itaqui-Bacanga voltou a registrar níveis considerados críticos em São Luís. Dados da rede pública de monitoramento ambiental do Maranhão apontaram, na tarde da última quinta-feira (14), concentração de dióxido de enxofre (SO₂) superior a 800 microgramas por metro cúbico no Anjo da Guarda, índice classificado como “péssimo” pelos parâmetros ambientais.

As informações foram divulgadas pela própria plataforma de monitoramento da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio (Seinc), atualizada a cada 60 minutos. Além do Anjo da Guarda, outras duas estações registraram qualidade do ar “ruim”: Coqueiro e Vila Sarney. Pedrinhas apresentou nível “moderado”, Santa Bárbara registrou qualidade “boa” e a estação da Vila Maranhão aparecia fora do ar às 16h15.

As informações sobre a qualidade do ar é apresentado pela própria Secretaria de Indústria e Comercio do Maranhão – registro de 14 de maio de 2026.

Poluente afeta principalmente doenças respiratórias

O dióxido de enxofre (SO₂) é um gás liberado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como carvão mineral e óleo combustível, utilizados em atividades industriais e termelétricas. Segundo especialistas e órgãos ambientais, a exposição ao poluente pode provocar irritação nas vias respiratórias, crises de asma, tosse, falta de ar e agravamento de doenças cardiovasculares.

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias pré-existentes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição. Estudos também apontam que o SO₂ contribui para a formação de partículas finas que conseguem penetrar profundamente nos pulmões e na corrente sanguínea.

Além dos impactos na saúde, o dióxido de enxofre está associado à formação da chuva ácida e à contaminação ambiental. Por isso, o monitoramento contínuo da qualidade do ar é considerado estratégico para identificar episódios críticos de poluição e orientar medidas de proteção à população.

A legislação brasileira estabelece padrões nacionais para o controle do poluente e obriga o acompanhamento das emissões industriais e da qualidade do ar. Ambientalistas criticam, porém, a falta de transparência e de ações efetivas diante dos sucessivos registros de poluição em São Luís.

Agência Tambor já havia denunciado avanço da poluição

O novo episódio reacende denúncias feitas há anos por pesquisadores, movimentos ambientais e pela própria Agência Tambor, que já abordou o tema em reportagens e entrevistas no programa Dedo de Prosa. As denúncias relacionam a poluição atmosférica na capital à queima de carvão mineral por grandes empreendimentos industriais instalados na Ilha de São Luís, entre eles Alumar, Eneva e Vale.

Em entrevista anterior à Agência Tambor, o advogado ambientalista Guilherme Zagallo, integrante do movimento Defesa da Ilha, classificou a situação como um grave problema de saúde pública e criticou a ausência de medidas efetivas do poder público estadual diante dos sucessivos alertas científicos e ambientais.

Segundo dados já apresentados em audiência pública do Ministério Público do Maranhão, a Ilha de São Luís registrou 903 episódios classificados como nível de emergência ambiental em 2023, devido ao excesso de poluentes atmosféricos, principalmente dióxido de enxofre e ozônio. Ambientalistas criticam a ausência de relatórios públicos atualizados sobre emissões referentes aos anos de 2024 e 2025 e apontam descumprimento da Resolução 505 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabelece regras para monitoramento e divulgação da qualidade do ar.

Pesquisadores e integrantes do movimento Defesa da Ilha afirmam que a exposição contínua à poluição está diretamente relacionada ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares na capital. Estudos apresentados pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com base em dados do Datasus, mostram que doenças respiratórias passaram da sétima para a terceira principal causa de morte em São Luís entre 1996 e 2018.

Além da poluição atmosférica, pesquisadores alertam para impactos ambientais acumulados na água e nos alimentos consumidos pela população da ilha. Estudos científicos desenvolvidos pela UFMA e pela Fundação Oswaldo Cruz investigam a presença de metais pesados em áreas próximas aos complexos industriais, incluindo mercúrio em espécies de pescado da Baía de São Marcos.

Estado é alvo de ação por falhas no controle ambiental

O cenário também motivou uma ação judicial do Ministério Público Federal contra o Estado do Maranhão. O processo cobra o cumprimento das regras de monitoramento e coordenação previstas pela Resolução 505 do Conama.

Em nota anterior enviada à Agência Tambor, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) afirmou que os empreendimentos industriais operam mediante licenciamento ambiental e que o órgão realiza acompanhamento sistemático das atividades na região Itaqui-Bacanga. A secretaria também declarou que o governo estadual está ampliando a rede de monitoramento da qualidade do ar e que adota medidas administrativas quando identifica irregularidades ambientais.

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