Mobilizações de bancários durante a greve no Maranhão reúnem trabalhadores em Paço do Lumiar, Imperatriz, Caxias, Bacabal, Santa Inês e outros municípios. (Foto: Reprodução/SEEB-MA) A greve por tempo indeterminado dos bancários chegou ao segundo dia nesta quarta-feira (9) com mobilizações em São Luís e em diferentes cidades do interior do Maranhão. Iniciada na terça-feira (8), a paralisação teve adesão em municípios como Imperatriz, Açailândia, Caxias, Codó, Pedreiras, Presidente Dutra, Bacabal, Santa Inês e Timon, segundo o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA).
Na capital, a mobilização desta quarta-feira se concentrou em frente ao Banco do Brasil da Praça Deodoro, no Centro. O ato faz parte da estratégia do sindicato de ampliar a pressão sobre os bancos pela retomada das negociações e por mudanças nas propostas apresentadas durante a Campanha Salarial 2026.
Greve começa após 13 rodadas de negociação
A paralisação foi aprovada depois de 13 rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e dos bancos. A última proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) chegou a prever reajuste pelo INPC acrescido de 0,6% de ganho real. O índice, no entanto, foi rejeitado pelos bancários do Maranhão.
O SEEB-MA argumenta que o percentual não recupera as perdas acumuladas pela categoria nem corresponde ao desempenho econômico do setor. Segundo o sindicato, os bancos registraram cerca de R$ 182 bilhões em lucros em 2025.
Além do reajuste salarial, os trabalhadores reivindicam valorização dos pisos e dos tíquetes, melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), garantia dos empregos, manutenção de direitos e melhores condições de trabalho.
“A greve começou forte no Maranhão e vamos mostrar que a categoria não aceita proposta rebaixada. É hora de ampliar a mobilização, pressionar os bancos e lutar por avanços reais”, afirmou o coordenador-geral do SEEB-MA, Rodolfo Cutrim.
Sobrecarga e adoecimento também estão na pauta
A campanha não está restrita aos salários. O sindicato relaciona a mobilização à redução do número de funcionários, aumento da cobrança por metas, sobrecarga de trabalho, adoecimento e fechamento de agências.
Nos escritórios digitais do Banco do Brasil, por exemplo, materiais divulgados pelo SEEB-MA apontam aumento da pressão sobre os trabalhadores e questionam o uso de ferramentas de gestão, inteligência artificial e monitoramento de transações associado à cobrança por produtividade. Para a entidade, a digitalização não pode ampliar mecanismos de controle nem intensificar o adoecimento da categoria.
As pautas específicas dos bancos públicos também permanecem no centro da greve. No Banco do Brasil, trabalhadores questionam o programa Performa. Na Caixa Econômica Federal, o Saúde Caixa continua entre os principais pontos de conflito. Já os empregados do Banco da Amazônia cobram valorização da carreira.
Sindicato aponta impacto também para a população
Para o SEEB-MA, a redução do quadro de funcionários e o fechamento de unidades não atingem apenas os trabalhadores. A entidade afirma que a diminuição da estrutura de atendimento amplia filas, aumenta o tempo de espera e dificulta o acesso da população aos serviços bancários presenciais, especialmente para quem depende das agências.
A greve havia sido inicialmente aprovada para começar em 2 de setembro, mas os bancários maranhenses decidiram transferir o início para o dia 8 na tentativa de aproximar a paralisação de outras bases do país. O sindicato informa que há mobilizações também no Rio Grande do Norte, Bauru e Pará e defende a ampliação de um calendário nacional de luta.
Com os atos iniciados nesta semana, o movimento entra agora em uma nova fase. O SEEB-MA pretende manter a paralisação por tempo indeterminado e ampliar a pressão para que os bancos apresentem novas propostas para salários, saúde, emprego e condições de trabalho.