Entre os dias 15 e 24 de agosto, o Quilombo Rampa, localizado em Vargem Grande (MA), realiza o Festejo de São Bartolomeu, uma das celebrações mais antigas do Maranhão. A festividade, que chegou a 207 anos em 2025, reúne rituais religiosos, manifestações culturais e a força da coletividade quilombola.
A cada edição, o festejo mobiliza não apenas os moradores da Rampa, mas também comunidades vizinhas e devotos que vêm de diferentes regiões do estado e até de outros regiões. “É um festejo muito esperado, não só pela nossa comunidade, mas também por pessoas de cidades como Vargem Grande, Itapecuru, Nina Rodrigues e até de fora do Maranhão”, contou Raimundo Quilombola, professor e comunicador da Rádio e TV Quilombo, que esteve no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, convidando a todos para o evento.
[Confira entrevista na íntegra o final desta matéria.]

A programação mistura fé e cultura: alvoradas, missas, batizados, procissões e o tradicional tambor de crioula, manifestação reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. “O tambor de crioula é um dos pontos mais importantes do festejo, porque carrega a alegria, a ancestralidade e a resistência do nosso povo. É a noite que amanhece em festa”, destacou Raimundo.
Um dos momentos mais marcantes é o encontro das imagens de São Bartolomeu e São Raimundo Nonato, que ocorre no dia 23, seguido de procissão, missa campal, apresentações culturais e a grande noite de tambor de crioula. O encerramento acontece no dia 24, com batizados, procissão e a tradicional festa do “pau furado”, animada por charangas e bandas.
A coletividade é a base para a realização da festa. Cada dia da novena conta com a responsabilidade de uma comunidade, família ou grupo social, que organiza e mantém os rituais. “Manter um festejo desse tamanho por mais de dois séculos só é possível com a união de muitas mãos. É a coletividade que garante a continuidade”, afirmou Raimundo.
O festejo também é espaço de passagem de saberes e de liderança para os mais jovens. Raimundo lembrou sua própria trajetória onde um dia eu estava só aprendendo com os mais velhos, e de repente já estava na linha de frente, ajudando a organizar. E afirmou que este é um processo natural de confiança e de continuidade da tradição.
Além da dimensão religiosa, o festejo resgata costumes e brincadeiras tradicionais, como torneios de baladeira, cavalo de pau e competições de culinária, que integram crianças, jovens e anciãos. “São práticas que ativam memórias, fortalecem a cultura e garantem que ela não morra. Pelo contrário, a cada festejo ela ganha mais força”, explicou o comunicador.
Confira a entrevista com Raimundo Quilombola concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.