As professoras e os professores de São Luís conquistaram o aumento porque têm organização, força de mobilização e poder de pressão. A imagem é da greve de 2022. Foi uma vitória! As professoras e os professores da rede pública de ensino do município de São Luís conquistaram, para 2026, um aumento de 16% em seus vencimentos.
A conquista da categoria, obtida junto à Prefeitura, será efetivada a partir de fevereiro, após aprovação da Câmara Municipal, com efeito retroativo a janeiro deste ano.
Esse aumento é fruto de muita luta, inúmeras reivindicações e pressões da categoria, organizada pelo Sindeducação — o Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de São Luís.
Formiga sabe o pau que rói
A conquista salarial, no entanto, teve um momento ruim, provocado pelo prefeito de São Luís, Eduardo Braide.
Ele atacou o principal instrumento de luta do magistério no município, que vem atuando para garantir diferentes conquistas, como é o caso dos 16% de aumento nos vencimentos.
Ao anunciar o reajuste, no dia 21 de janeiro, o prefeito fez um discurso muito infeliz, desacatando a organização da classe trabalhadora, isto é, tentando desqualificar o sindicato.
Eduardo Braide tentou passar a ideia de que o reajuste estava sendo concedido por sua “generosidade”, como se tivesse agido por “benevolência”.

Braide tentou retirar o tema do campo das políticas públicas, tratando o reajuste como se fosse algum tipo de caridade concedida por ele. Tratou luta social como se fosse um caso de compaixão.
Mas formiga sabe o pau que rói. A atual gestão municipal conhece muito bem a força da organização e da mobilização das professoras e dos professores de São Luís. A imensa greve, ocorrida em 2022, há menos de quatro anos, é uma prova disso.
Eduardo Braide não sabe das coisas?
Após o golpe militar ocorrido no Brasil, em 1964, a ditadura implantada no país perseguiu violentamente a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Sedes de sindicatos foram invadidas, e seus dirigentes presos, cassados, torturados ou assassinados.
Essa ditadura promoveu no Brasil, nos seis primeiros anos após o golpe, intervenções militares em 536 sindicatos!

E por que tudo isso? Porque a extrema direita — ao longo da história — nunca quis trabalhadores organizados lutando por direitos sociais e relações de trabalho justas. A extrema direita e seus empresários fascistas querem apenas escravos.
Hoje, com o avanço da extrema direita, assiste-se a uma onda de ataques aos sindicatos. O governo de Jair Bolsonaro, não por acaso, também perseguiu diretamente organizações da classe trabalhadora, através de medidas provisórias.
Qual é a tua, prefeito?
Será que o prefeito de São Luís está entendendo a asneira que fez? Ou ele despreza os motivos pelos quais vem sendo repudiado por organizações e lideranças sociais do Maranhão e de outros pontos do Brasil, tanto da área da educação quanto de outras categorias?
Ao atacar o Sindeducação — um sindicato que hoje possui uma direção respeitada — Eduardo Braide cometeu dois erros primários, que um verdadeiro democrata não pode cometer.
Primeira grande mancada — Existem conquistas sociais que são necessariamente resultado de luta coletiva. Cabe aos governantes que têm sensibilidade política e compromisso social ouvir a sociedade para implementar os direitos. É assim entre os que acreditam na democracia: com organização e pressão popular.

Por que existe hoje uma política pública no Brasil comprometida com a segurança alimentar? Porque, antes, houve organização e pressão, e hoje temos um governo federal comprometido com essa questão. Não há salvador da pátria. É outro rolê.
Segunda grande mancada — O movimento sindical nasceu exatamente para, a partir da organização da classe trabalhadora, garantir direitos sociais e transformar as relações de trabalho. Surgiu na primeira metade do século XIX, na Europa, quando a Revolução Industrial havia criado escravos e escravas, que trabalhavam 18 horas por dia.
Ao longo da história, os sindicatos têm sido responsáveis por garantir direitos como a redução da jornada de trabalho, segurança nos empregos, luta por salários dignos, 13º salário, férias, saúde, auxílio-maternidade, aposentadoria, fundos de garantia, vale-alimentação, vale-transporte, abonos etc.
E qual é a de Eduardo Braide? É de inserção do povo num processo democrático, que incluiu o direito fundamental de organização e participação social, com crítica e pressão?
Ou ele está entre aqueles que querem uma sociedade de escravos, dominados por fascistas que se apresentam fantasiados de messias?