Greve adiada, mas confirmada no Maranhão: a nova data busca aproximar a paralisação de outras bases do país e ampliar a pressão nacional sobre os bancos. (Imagem Seeb-Ma – 2021) Os bancários do Maranhão decidiram iniciar a greve por tempo indeterminado no dia 8 de setembro. A nova data foi aprovada em Assembleia Geral de Organização e Deliberação realizada nesta terça-feira (1º), quando a categoria também ratificou a rejeição à proposta da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e recusou as propostas específicas apresentadas por Caixa, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.
A greve havia sido inicialmente marcada para 2 de setembro. Segundo o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), o adiamento busca aproximar a paralisação de outras bases do país e ampliar a pressão nacional sobre os bancos. A entidade afirma ainda que a mudança procura evitar que os trabalhadores maranhenses enfrentem isoladamente os efeitos de uma greve enquanto outras categorias permanecem em negociação.
Fenaban melhora proposta, mas sindicato mantém rejeição
Depois de 13 rodadas de negociação, a Fenaban passou a oferecer reajuste pelo INPC acrescido de 0,6% de ganho real. A proposta representa avanço em relação às ofertas anteriores, que chegaram a prever apenas a reposição da inflação, mas continua sendo considerada insuficiente pelo SEEB-MA.
Para o sindicato, o percentual não recupera as perdas acumuladas pela categoria nem corresponde à capacidade financeira do setor. A entidade cita como referência um lucro de aproximadamente R$ 182 bilhões registrado pelos bancos em 2025.
O SEEB-MA também voltou a criticar a condução da campanha salarial pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Segundo o sindicato maranhense, a confederação apresenta a nova proposta como um avanço, enquanto o SEEB-MA sustenta que o índice continua distante das possibilidades econômicas dos bancos e das reivindicações dos trabalhadores. O material divulgado pelo sindicato não traz manifestação da Contraf-CUT sobre essas críticas.
Como contraponto, o SEEB-MA cita novamente a negociação dos empregados do Banco do Estado do Pará (Banpará). Segundo a entidade, a categoria conquistou INPC mais 1,83% de ganho real, reajuste de 7,2% nos tíquetes e pagamento integral de um 14º tíquete. Para o sindicato, o resultado demonstra que a mobilização pode produzir acordos superiores aos oferecidos pela Fenaban.
Bancos públicos também têm propostas rejeitadas
A assembleia do Maranhão rejeitou ainda as propostas apresentadas nas negociações específicas dos bancos públicos. “Rejeitamos as propostas que estão na mesa dos bancários. Reajuste muito pífio, adoecimento em série e nenhuma resposta em relação a esse problema estrutural da categoria”, afirmou Rodolfo Cutrim, coordenador-geral do SEEB-MA, em vídeo divulgado pelo sindicato.
No Banco do Brasil, a principal crítica permanece relacionada ao programa Performa. Segundo Cutrim, a proposta apresentada pelo banco não responde às reivindicações contra uma política de remuneração que, na avaliação do sindicato, amplia desigualdades e pressões sobre os trabalhadores.
Na Caixa Econômica Federal, o Saúde Caixa continua entre os principais pontos de conflito. O sindicato afirma que a proposta pode aumentar de forma significativa a contribuição paga pelos empregados e pesar ainda mais sobre o orçamento das famílias. No Banco do Nordeste, permanece a disputa em torno da PLR. Já no Banco da Amazônia, a categoria cobra avanços na valorização da carreira e no Plano de Cargos e Salários.
As reivindicações incluem ainda reajuste salarial com ganho real, recuperação das perdas, aumento de pisos e tíquetes, defesa dos empregos, melhores condições de trabalho e medidas contra o adoecimento. “As propostas que estão colocadas na mesa não respondem às demandas dos bancários e bancárias nacionalmente”, afirmou Cutrim.
Sindicato tenta ampliar greve para outras bases
Segundo o SEEB-MA, a mobilização já alcança bases no Maranhão, Rio Grande do Norte, Bauru, em São Paulo, e Pará. A entidade passou a convocar trabalhadores de outros estados a pressionarem seus sindicatos pela realização de assembleias e pela construção de um calendário nacional de mobilização.
A decisão representa uma mudança em relação à assembleia anterior, de 27 de agosto, quando os bancários maranhenses haviam aprovado o início da greve para 2 de setembro. Com a nova deliberação, a paralisação no estado está marcada para o dia 8. “No Maranhão, a greve já tem data. Dia 8 de setembro vamos à luta, vamos mobilizar, vamos à greve”, afirmou Rodolfo Cutrim.