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Apruma amplia mobilização por eleições e participação democrática na UFMA

Eleições para as direções dos centros da UFMA seguem adiadas, enquanto a universidade discute mudanças nas regras de escolha dos dirigentes. (Imagem: UFMA Divulgação)

A Associação dos Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma) ampliou a mobilização em defesa da retomada das eleições para as direções dos centros da UFMA e de maior participação da comunidade universitária na escolha de seus dirigentes. A entidade vem promovendo debates, ações de esclarecimento e atividades junto a docentes, estudantes e técnicos-administrativos.

As eleições estavam previstas para abril, mas foram adiadas pelo Conselho Universitário (CONSUN) em julho. Desde então, direções provisórias permanecem à frente de unidades da universidade. Para a Apruma, a prorrogação aprofundou um problema já denunciado pelo movimento docente: o enfraquecimento dos espaços de participação e decisão dentro da instituição.

Eleições adiadas

A administração superior da UFMA justificou o adiamento pela necessidade de revisar o Estatuto, o Regimento Geral e as normas eleitorais da universidade após mudanças na legislação federal. Sancionada em março, a Lei nº 15.367/2026 extinguiu a lista tríplice para a escolha de reitores e reitoras das universidades federais e determinou a nomeação do candidato mais votado pela comunidade acadêmica.

Para a Apruma, porém, a necessidade de adequação das normas internas não deveria impedir a realização das eleições para as direções dos centros. O presidente da entidade, Luiz Eduardo Neves, critica especialmente a permanência prolongada de dirigentes nomeados de forma provisória.

“Ter diretores de centro indicados pela administração superior por mais de um ano, um ano e meio, em formato pro tempore é péssimo para a universidade”, afirma. Segundo ele, a ausência de eleições com participação de estudantes, técnicos-administrativos e docentes prejudica a comunidade universitária e enfraquece a democracia interna.

O processo eleitoral já vinha sendo preparado antes da decisão do CONSUN. Em abril, a comissão responsável pela escolha das direções dos 12 centros da UFMA informou que estava na etapa final de elaboração do edital para as candidaturas. O documento ainda deveria passar pelo Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Consepe) e posteriormente pelo Conselho Universitário.

Participação nas decisões

A mobilização da Apruma também procura ampliar a discussão sobre como a comunidade universitária participa da escolha dos dirigentes. Entre os modelos debatidos estão o voto paritário, em que docentes, técnicos-administrativos e estudantes têm o mesmo peso no resultado, e o voto universal, em que cada integrante da universidade possui um voto de igual valor.

Apruma e docentes se mobilizam pela retomada das eleições para as direções dos centros e por maior participação da comunidade universitária na UFMA. (Imagem: Apruma)

Para o professor Antônio Gonçalves, docente do curso de Medicina e diretor adjunto de Interiorização da Apruma, o fim da lista tríplice abriu uma nova etapa da discussão sobre democracia nas universidades. “Ao conquistarmos o fim da lista tríplice, precisamos discutir como será realizada a eleição direta”, afirma.

Na avaliação do professor, a escolha dos dirigentes deve começar e terminar dentro das próprias instituições e garantir participação efetiva dos diferentes segmentos. A Apruma defende que essa definição não fique restrita aos conselhos superiores e seja discutida com toda a comunidade universitária.

A professora Zilmara de Jesus, do Departamento de Filosofia, considera que o debate precisa ir além das eleições. Para ela, a democracia universitária também depende do funcionamento dos espaços coletivos de discussão e decisão. “Considero que estamos bem distantes, na UFMA, de um cenário democrático e plural, em que os diversos segmentos participem e sejam de fato ouvidos”, avalia.

Segundo Zilmara, decisões importantes têm sido tomadas de forma cada vez mais verticalizada. A docente defende o fortalecimento dos colegiados e demais instâncias coletivas da instituição. “Para além da forma de eleição, precisamos ter um ambiente democrático para que as pessoas possam se expressar politicamente e realizar disputas legítimas”, afirma.

Estudantes também cobram participação

A participação estudantil também integra a mobilização. Nathally Cruz, estudante de Comunicação Social e vice-presidente do Diretório Acadêmico de Comunicação (Dacom), afirma que as representações estudantis ajudam a levar as demandas dos alunos para os espaços institucionais da UFMA.

“A UFMA é um espaço coletivo. Por isso, é importante que os estudantes possam escolher seus representantes e participar ativamente da construção das decisões que vão impactar sua vida acadêmica”, diz.

Mobilização continua

Desde o adiamento das eleições, a Apruma tem realizado reuniões, rodas de conversa, panfletagens e outras ações de esclarecimento sobre o processo eleitoral e a participação da comunidade universitária. A entidade também buscou assessoria jurídica para avaliar possibilidades de atuação em defesa da realização das eleições.

A discussão chegou ainda ao 69º Conselho do ANDES-SN, realizado em julho, em São Luís. Na ocasião, foi aprovada uma moção contra o adiamento das eleições e a manutenção prolongada de dirigentes provisórios na UFMA.

Entre as próximas atividades está a palestra “Universidade e Democracia”, marcada para 17 de setembro. Para a Apruma, manter o tema em circulação é uma forma de ampliar o envolvimento da comunidade universitária e pressionar pela retomada das eleições. No centro da mobilização está uma questão que ultrapassa a escolha dos próximos diretores: quem participa das decisões da UFMA e de que forma estudantes, técnicos-administrativos e docentes podem interferir nos rumos da universidade.

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