Disfarce vai prevalecer? Como o povo maranhense vai reagir quando souber que Eduardo Braide não tem compromisso com a reeleição de Lula? Por Ed Wilson Araújo*
Este pode ser o assunto mais importante da campanha eleitoral no Maranhão, que começará no próximo mês.
O ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, pré-candidato ao Governo do Estado, está escondendo do eleitor quem é o seu candidato à Presidência da República.

A extraordinária força eleitoral de Lula no Maranhão é o motivo dessa dissimulação. Eduardo Braide rejeita o atual presidente do Brasil, mas, até hoje, tenta disfarçar esse repúdio, falando de uma suposta “neutralidade”.
Braide tem medo de perder votos. No primeiro turno das eleições de 2022, Lula obteve quase 70% dos votos do eleitorado maranhense, numa disputa em que seu adversário, Jair Bolsonaro, ainda era presidente da República. No segundo turno da mesma eleição, Lula ampliou sua votação no Estado.
Nascido e criado entre os privilegiados da estrutura oligárquica do Maranhão, Eduardo Braide sinaliza para o campo anti-Lula, hoje representado pela extrema direita.
Disfarçando as evidências
Em fevereiro deste ano, vários veículos de comunicação informaram que Flávio Bolsonaro havia listado, em uma reunião do PL nacional, figuras do Maranhão com as quais teria espaço para uma aliança.
O nome de Eduardo Braide estava incluído na lista do extremista de direita, ao lado do ex-senador Roberto Rocha e da deputada federal Detinha, presidente do PL no Maranhão.

Eduardo Braide, que, na ocasião, ainda exercia o cargo de prefeito de São Luís, fez cara de paisagem diante da informação que o ligava a Bolsonaro, publicada por veículos de comunicação de Brasília e também do Maranhão.
Mas, em dezembro do ano passado, a reação de Eduardo Braide foi muito diferente. Na ocasião, o Sistema Mirante noticiou que ele teve uma conversa, em Brasília, com Edinho Silva, presidente nacional do PT, partido do presidente Lula, “para tratar de uma aliança política”.
Aí, Eduardo Braide fez barulho! Reagiu imediatamente à informação, negou que o encontro com o dirigente petista tivesse acontecido e demonstrou grande incômodo, afirmando publicamente que o veículo que deu a notícia não se cansava de “inventar histórias”.
O enorme interesse do Maranhão
A rejeição de Eduardo Braide à reeleição de Lula passa por questões fundamentais para o povo maranhense.
Segundo dados do IBGE, o Maranhão chegou aos anos 2000 com quase 70% de sua população na miséria, vivendo abaixo da linha da pobreza.

Lula assumiu a Presidência da República pela primeira vez em 2003. De lá para cá, a partir das políticas de segurança alimentar implantadas pelos governos lulistas, o Brasil saiu do Mapa da Fome, e o povo maranhense foi um dos mais beneficiados do país.
Mas os ganhos do Maranhão vão bem além do direito básico à alimentação. Falar do governo Lula em nosso Estado é lembrar da casa própria, do filho do pobre fazendo universidade, mestrado e doutorado; é falar de médicos em lugares antes inimagináveis.

Lula, no Maranhão, representa os programas específicos para a saúde e a segurança da mulher, o avanço das Farmácias Populares, o investimento na vacinação, a isenção de impostos para os que ganham menos, o Pé-de-Meia para alunos de escolas públicas e a recarga gratuita do botijão de gás.

Os governos de Lula representam, para o Maranhão, o fortalecimento do SUS, a criação das UPAs e dos Institutos Federais, a chegada da energia elétrica, o Desenrola Brasil e o aumento real do salário mínimo. São os recursos federais para a cultura chegando a todos os 217 municípios do Estado. É muita coisa. São os novos benefícios para os motoristas de aplicativos, e por aí vai.
É mais que um deboche
Neste ano de 2026, a eleição no Brasil segue totalmente polarizada, tendo, de um lado, um projeto liderado pelo atual presidente Lula e, de outro, uma ação de extrema direita, sob a influência da família Bolsonaro, com Romeu Zema e Ronaldo Caiado atuando como integrantes do mesmíssimo time.

E, nesse cenário, o que Eduardo Braide diz de modo verdadeiramente sério? Ele é indiferente a todas as políticas públicas e aos programas sociais colocados em prática pelo governo Lula? Ele não se interessa pelos inúmeros benefícios acessados pelo povo maranhense?
Braide vai dizer que não sabe de todo o desmonte das políticas públicas ocorrido no Brasil durante o recente governo da extrema direita? Houve ações do governo Bolsonaro para tentar privatizar o SUS e para enfraquecer as universidades públicas. Braide não sabe disso?

Essa extrema direita brasileira, que chegou ao governo federal em 2019, tentou dar um golpe de Estado. Trata-se do mesmo grupo que agora busca apoio do governo norte-americano para sabotar o Brasil e derrotar Lula, tentando viabilizar seus planos totalitários. O assunto é grave. É gente hedionda, que idolatra torturadores.
E Eduardo Braide diz o quê? Ele também é a favor da anistia para os condenados que, de dentro do Palácio do Planalto, mobilizaram uma militância alucinada para acampar em frente aos quartéis, pedindo intervenção militar? Qual é a opinião dele sobre o 8 de janeiro? Ele é a favor do perdão para aqueles que já foram devidamente condenados?
O ex-prefeito de São Luís, hoje pré-candidato a governador do Maranhão, precisa ser questionado, com veemência, sobre sua rejeição a Lula e sobre a eleição presidencial, que terá grandes consequências sociais e políticas.

Eduardo Braide não pode esconder o verdadeiro debate do Maranhão falando apenas de trânsito e de uma “transformação” que prioriza grupo do Centrão, denunciado por trabalho escravo. Com tanta coisa em jogo, o disfarce da neutralidade é um deboche. É uma manipulação que chega à desonestidade.
*Ed Wilson Araújo é jornalista e professor da Universidade Federal do Maranhão