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Sindicato vence: docentes da UEMA e UEMASUL conquistam 10% após anos sem reajuste

SINDUEMA aponta perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos e cobra valorização da categoria. (Foto: Acervo UEMA)

Após mais de uma década sem recomposição efetiva, professoras e professores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e da UEMASUL conquistaram um reajuste de 10% nos vencimentos básicos. O resultado é fruto de uma campanha salarial conduzida pelo Sindicato dos Docentes das Universidades Estaduais Públicas do Maranhão (SINDUEMA), que articulou mobilização da categoria, pressão institucional e negociação com o governo do Estado.

A conquista marca uma inflexão na trajetória recente da categoria, que acumulava perdas salariais significativas. O reajuste começa a valer a partir de 1º de abril e se soma aos 3,5% já previstos em legislação anterior para julho, abrindo um novo ciclo de recomposição, ainda que parcial.

“É uma vitória importante, ainda que não recupere todas as perdas. Nós acumulávamos cerca de 50% de defasagem, e agora conseguimos reduzir esse impacto e retomar o caminho da recomposição”, afirmou o presidente do SINDUEMA, João Coelho, em entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Segundo o dirigente, o processo foi construído ao longo de meses, com apresentação de pautas, diálogo com o governo e mobilização crescente da base. A categoria chegou a discutir paralisação, mas optou por uma estratégia que combinasse pressão e negociação, o que, na avaliação do sindicato, foi decisivo para o resultado.

O anúncio oficial do reajuste ocorreu no dia 31 de março, após sucessivos adiamentos por parte do governo. A medida provisória foi publicada no Diário Oficial no início de abril, garantindo a aplicação imediata do percentual. “Foi uma conquista no limite do tempo, mas que mostrou que a mobilização deu resultado”, destacou Coelho.

Um dos pontos centrais da campanha foi a denúncia do silêncio da mídia tradicional sobre a pauta. De acordo com o sindicato, a cobertura foi sustentada quase exclusivamente por veículos de comunicação popular, que deram visibilidade à reivindicação desde o início.

“Nós procuramos a grande mídia, mas não houve retorno. Quem abriu espaço foram as mídias populares, especialmente a Rádio Tambor. Foi assim que conseguimos dialogar com a sociedade e com a própria comunidade acadêmica”, afirmou o presidente do SINDUEMA.

A estratégia de comunicação teve efeito direto na mobilização. A circulação de conteúdos em redes sociais, grupos de mensagens e plataformas digitais ampliou o alcance da campanha e contribuiu para engajar docentes e estudantes. “Quando chegávamos às salas de aula, os alunos já sabiam da campanha. Isso mostra a força dessa comunicação”, acrescentou.

Apesar da vitória, o sindicato ressalta que a recomposição está longe de ser concluída. As perdas acumuladas ao longo de diferentes gestões ainda permanecem e devem pautar as próximas negociações. Além da questão salarial, a entidade também aponta demandas estruturais, como orçamento das universidades, progressão na carreira e acesso ao cargo de professor titular.

“O reajuste nos dá fôlego e credibilidade para continuar lutando. A universidade cresceu, se qualificou e precisa de investimento para manter seus quadros e cumprir seu papel social”, afirmou Coelho.

A avaliação interna da categoria é heterogênea. Enquanto parte dos docentes celebra o avanço, outro grupo considera o percentual insuficiente diante das perdas históricas. Ainda assim, há consenso de que o resultado rompe um ciclo de estagnação e recoloca a pauta salarial no centro do debate.

Ao final, o sindicato reforça que a mobilização continuará e aposta na combinação entre organização da categoria e fortalecimento da comunicação popular como estratégia para avançar nas próximas etapas da luta.

Veja a entrevista do presidente do SINDUEMA, João Coelho, ao programa Dedo de Prosa.

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