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Retirada de linhas de transporte e omissão do poder público penalizam moradores de São Luís

Retirada de linhas de ônibus em bairros de São Luís expõem o agravamento da crise no transporte público na capital. (Imagem: Acervo Rede)

Denúncias sobre a retirada de linhas de ônibus em bairros de São Luís expõem o agravamento da crise no transporte público da capital. Moradores de regiões como Turu, Cohab, Sacavém, Salina, Coroado e Coroadinho relatam desassistência, aumento de custos e dificuldades para acessar trabalho, escola e serviços de saúde.

A situação envolve acusações contra empresas concessionárias e questionamentos sobre a atuação da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), responsáveis pela fiscalização do serviço. O cenário reforça um padrão histórico de precarização, marcado por tarifas elevadas, redução de frota e conflitos recorrentes entre empresários e poder público.

“É uma crise silenciosa que está afetando os usuários de transporte público e o poder público está inerte”, afirmou a advogada Ingrid Barbosa, em entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor. Ela tem atuado como porta-voz de denúncias envolvendo linhas operadas por empresas que atendem essas regiões.

[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Segundo a advogada, a retirada de linhas ocorreu de forma unilateral, sem diálogo com a população. “Nós tentamos resolver de forma extrajudicial, entramos em contato com a empresa, mas não houve retorno. O usuário fica completamente desassistido”, relatou.

O problema, no entanto, não é recente. De acordo com Ingrid Barbosa, o transporte público em São Luís acumula décadas de precarização. “Há sucateamento, aumento de passagem e, em contrapartida, menos ônibus circulando. A população paga caro por um serviço que não funciona”, afirmou.

Um dos pontos mais críticos envolve a retirada de linhas em bairros periféricos, o que obrigou moradores a buscar alternativas mais caras. “As pessoas estão tendo que pagar para trabalhar. Um trajeto que antes era feito de ônibus agora custa mais de R$ 30 por aplicativo”, disse.

A situação tem impacto direto em grupos vulneráveis. A advogada cita crianças autistas sem acesso regular à escola e idosos que interromperam tratamentos de saúde. “Estamos falando de violação de direitos básicos. Não é só transporte, é acesso à vida”, afirmou.

Outro ponto levantado é a justificativa apresentada pelas empresas. Segundo ela, há alegações de baixa rentabilidade das linhas, o que é contestado. “Essas empresas recebem subsídios da prefeitura, além do valor pago pelos passageiros. Não faz sentido dizer que não há retorno financeiro”, criticou.

A denúncia também aponta possível omissão do poder público. De acordo com Ingrid Barbosa, a SMTT teria conhecimento das mudanças, mas não atuou para impedir a retirada das linhas. “Quando o órgão fiscalizador se omite, ele acaba favorecendo a empresa”, disse.

O caso já foi levado ao Ministério Público, que abriu procedimento para apurar as denúncias após audiência pública realizada no fim de março. Segundo a advogada, no entanto, a resposta institucional ainda é lenta diante da urgência do problema.

Enquanto isso, moradores seguem enfrentando longas esperas, superlotação e insegurança nos deslocamentos. “Transporte público não é favor, é direito. E hoje esse direito está sendo negado”, afirmou.

O outro lado

A Agência Tambor entrou em contato com a Prefeitura de São Luís e com a empresa citada para obter posicionamento sobre as denúncias. Até o momento, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

[Veja a entrevista da advogada Ingrid Barbosa ao programa Dedo de Prosa.]

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