José Sarney visitou
Iracema Vale. Ele deixou mensagem para a classe política do Maranhão. Editorial
As deputadas estaduais Helena Duailibe e Andreia Resende; o deputado federal Pedro Lucas Fernandes; o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Daniel Brandão; o secretário de Estado, Fábio Gentil; o governador Carlos Brandão; e a desembargadora Nelma Sarney são algumas das autoridades do Maranhão citadas recentemente em veículos de imprensa de fora do Estado, a partir de diferente investigações da Polícia Federal.

Nos últimos meses, o nome dessas e de outras figuras públicas do Maranhão circulou no Brasil em razão do trabalho da PF. Os diferentes casos envolvem denúncias gravíssimas, relacionados à corrupção.
Basta uma simples pesquisa no Google para que os nomes dessas autoridades apareçam vinculados a reportagens em veículos de imprensa de alcance nacional, que se referem a problemas entregues à PF.
Expectativa
No último dia 18 de dezembro, a agitação em Brasília e no Maranhão ficou ainda maior após a Polícia Federal solicitar a prisão preventiva do senador Weverton Rocha (PDT), negada pelo STF.

O parlamentar maranhense está envolvido nas investigações sobre uma organização criminosa responsável por um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
Assim como as outras autoridades citadas neste editorial, o senador nega o envolvimento nas ações ilícitas. Mas o fato é que trata-se de mais um episódio crítico com alguém do Maranhão sendo investigado.
Diante da sucessão de fatos — que ganham cada vez mais visibilidade — cresce, na sociedade maranhense, a expectativa por conclusões.
Justiça
Há investigações, suspeitas, denúncias, indícios, inquéritos. Então, é fundamental que as instituições apresentem uma resposta definitiva, esclarecendo quem é inocente e quem é culpado.
Não se trata aqui de pré-julgamento, nem de acusações levianas. Mas os casos existem, são sinistros, de evidente interesse público, estão extrapolando a possibilidade de censura na mídia conservadora do Maranhão e mexendo com a opinião pública.
São várias autoridades do nosso Estado. Sendo assim, caso haja culpa verdadeiramente comprovada de qualquer uma delas, é imprescindível que haja punição.
O inaceitável é a impunidade. É intolerável que, no Maranhão, apenas os pobres acabem indo para a cadeia.
A referência
Na sexta-feira (19/12), um dia após mais um político do Maranhão se tornar notícia nacional por ser alvo da Polícia Federal, a deputada estadual Iracema Vale recebeu José Sarney na Assembleia Legislativa do Maranhão.
Iracema, a atual presidente da Casa Legislativa, certamente lembra de uma investigação da Polícia Federal iniciada em 2007, que apontou Fernando Sarney — filho e operador financeiro de José Sarney — como líder de uma organização criminosa envolvida em formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e falsidade ideológica.
De acordo com a PF, esse imenso esquema de corrupção era operado a partir de uma empresa sediada no mesmo endereço do Sistema Mirante, grupo de comunicação criado por Sarney e dirigido por Fernando.
A mensagem do “honorável”
Com base em fatos que podem ser facilmente comprovados, José Sarney passou a ser definido, nos quatro cantos do Brasil, como um “honorável bandido”, um chefe de máfia que sempre conseguiu escapar da Polícia e da Justiça.

Após comandar a estrutura oligárquica do Maranhão por cinquenta anos, Sarney deixou uma mensagem para muitos políticos da atual geração do Estado.
A cartilha de Sarney diz o seguinte: “o crime compensa. A receita é acumular muito dinheiro roubado, concentrar poder de influência e agir sem qualquer escrúpulo. Sendo assim, a impunidade estará sempre a favor de cínicos mafiosos.”