A criação da Resex tem como objetivo reservar ecossistemas considerados estratégicos, como os manguezais e áreas de vegetação nativa, além do modo de vida de comunidades tradicionais.(Foto: Igor Cariman) Movimentos sociais, sindicais, estudantis e comunitários participam, no próximo dia 8 de abril, de uma plenária em defesa da criação da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, em São Luís. O encontro será realizado a partir das 10h, no auditório do Centro Pedagógico Paulo Freire, no campus da UFMA, no Bacanga.
A atividade integra a campanha “Resex Tauá-Mirim Já!” e busca ampliar a mobilização em torno da oficialização da unidade de conservação, cuja criação é reivindicada há mais de duas décadas por comunidades tradicionais da zona rural da capital maranhense.
Segundo o Conselho Gestor da Resex Tauá-Mirim, responsável pela convocação, o momento é considerado estratégico. “Os andamentos do processo no ICMBio apontam, atualmente, para a possibilidade concreta de sucesso nesta luta”, afirma a organização, ao defender a ampliação da participação de diferentes setores na plenária.
A proposta da reserva abrange uma área de cerca de 16,6 mil hectares na porção sudoeste de São Luís, incluindo comunidades como Taim, Rio dos Cachorros, Porto Grande e Limoeiro. Nessas localidades, famílias vivem do extrativismo, da pesca artesanal e da agricultura de subsistência.
A criação da Resex tem como objetivo garantir a proteção desses modos de vida e assegurar a permanência das comunidades em seus territórios, além de preservar ecossistemas considerados estratégicos, como os manguezais e áreas de vegetação nativa.
A região também concentra nascentes, babaçuais e remanescentes de mata amazônica, funcionando como área de refúgio para diversas espécies da fauna e flora. Ambientalistas apontam que a preservação da área tem impacto direto no equilíbrio ecológico de toda a ilha de São Luís.
Apesar da relevância ambiental e social, o processo de criação da reserva enfrenta entraves históricos. Entre os principais desafios estão a burocracia institucional e a pressão de empreendimentos industriais e portuários na região.
Diante desse cenário, a plenária pretende articular diferentes segmentos para fortalecer a pressão política pela decretação da unidade de conservação, considerada estratégica para conter o avanço de projetos econômicos sobre territórios tradicionais.
A mobilização também busca sensibilizar a opinião pública sobre a importância da Resex Tauá-Mirim, destacando a relação entre preservação ambiental e garantia de direitos das comunidades locais.