Docentes da Uema e da UemaSul enfrentam defasagem salarial. (Imagem: acervo Uema) A defasagem salarial enfrentada por docentes da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e da UemaSul voltou ao centro do debate público no início de 2026. Segundo representantes da categoria, as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos já ultrapassam 50% e ameaçam comprometer não apenas a carreira docente, mas também a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão oferecidos pelas instituições.
A principal reivindicação dos professores é a recomposição salarial imediata, com a antecipação de parcelas previstas em lei e a inclusão das universidades estaduais nos reajustes anuais concedidos à educação básica. Para os docentes, a exclusão recorrente desses reajustes aprofundou uma desigualdade histórica entre profissionais que integram o mesmo sistema educacional estadual.
Durante entrevista ao programa Dedo de Prosa, o professor João Coelho Filho, presidente Sindicato dos Docentes das Universidades Estaduais do Maranhão (Sinduema), relembrou que a luta por valorização salarial na universidade não é recente. Ele destacou que, no início dos anos 2000, o salário básico de um professor da instituição chegou a ser inferior ao salário mínimo, cenário que motivou mobilizações e negociações que resultaram em avanços pontuais, especialmente em 2003 e 2012.
[Veja a entrevista completa com João Coelho Filho sobre o tema ao final desta matéria.]
“Essas conquistas foram importantes, mas não se sustentaram ao longo do tempo”, afirmou. Segundo o docente, enquanto a educação básica passou a receber reajustes frequentes, os professores da Uema e da UemaSul ficaram de fora, o que provocou uma defasagem progressiva. “Hoje, mesmo com leis que preveem aumentos parcelados, os percentuais não cobrem nem a inflação anual”, explicou.
Entre os pontos centrais da pauta atual estão a antecipação de um reajuste de 3,5% previsto para julho, a garantia de que a duplicação da carga horária resulte também na duplicação salarial e a revisão dos percentuais de titulação pagos a mestres e doutores. “Não estamos pedindo privilégios, mas isonomia com o que já existe na educação básica e em outras universidades estaduais”, reforçou Coelho.
O professor também alertou para os impactos da desvalorização na estrutura acadêmica. Segundo ele, foi a política de valorização salarial adotada nos anos 2000 que permitiu à Uema ampliar o número de docentes em dedicação exclusiva, fortalecer programas de pós-graduação e melhorar seu posicionamento em rankings nacionais. “Saímos da posição próxima às piores universidades do país para chegar perto das cem melhores”, lembrou.
Na avaliação do sindicalista, a manutenção das perdas pode provocar um retrocesso significativo. “Corremos o risco de voltar a um tempo em que o professor precisava buscar outros empregos para complementar renda, o que afeta diretamente o ensino e a produção científica”, afirmou. Para ele, isso compromete o papel estratégico da universidade no desenvolvimento do Maranhão.
Além da questão salarial, os docentes também cobram maior transparência na execução do orçamento das universidades. De acordo com dados apresentados na entrevista, apenas uma parte dos recursos previstos na Lei Orçamentária Anual tem sido efetivamente repassada às instituições. “Há orçamento aprovado, mas a execução não acontece como deveria”, disse Coelho.
A mobilização da categoria está em fase inicial, com reuniões já realizadas com representantes do governo e articulações junto à Assembleia Legislativa. A expectativa é que novos encontros ocorram nas próximas semanas e que uma assembleia geral defina os próximos passos do movimento. “Nossa intenção é o diálogo, mas não podemos mais adiar essa discussão”, concluiu o professor.
[Veja a entrevista completa com Madalena Pereira de Lucena, Moradora da comunidade Santa Fé, e do advogado Roniery Machado, sobre as denuncias.]