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Juventudes no centro do debate: prêmio e concurso estimulam reflexão crítica sobre direitos humanos

Iniciativas apostam na palavra, na pesquisa e na comunicação como ferramentas de resistência entre jovens. (Imagem: Agência Brasil)

Em um contexto histórico brasileiro marcado pela criminalização das periferias, pela culpabilização da juventude negra e pela seletividade penal, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) anuncia duas iniciativas que apostam na palavra, na pesquisa e na comunicação como ferramentas de resistência. As ações convocam jovens a refletirem criticamente sobre segurança pública e sobre a proteção de quem atua na linha de frente da defesa dos direitos humanos.

Trata-se do XII Prêmio de Produção Textual e Audiovisual Rafael Estevão de Carvalho e do I Concurso Nacional de Reportagens sobre Direitos Humanos, com inscrições abertas. O segundo, em parceria com Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). As iniciativas têm alcance estadual e nacional e dialogam com estudantes, jovens comunicadores e coletivos sociais.

Com quase meio século de atuação, a SMDH completa 47 anos no dia 12 de fevereiro, consolidando-se como uma das entidades históricas na defesa dos direitos humanos no Maranhão e no Brasil. “A Sociedade nasce no período pós-ditadura justamente para trazer à tona as violações daquele contexto e, desde então, atua na defesa da terra e do território, da justiça criminal e na proteção de defensores de direitos humanos”, explica Dália Almeida, assistente social da entidade.

Dália participou do programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, discutindo sobre o fortalecimento da defesa dos direitos humanos e o papel da juventude na produção de conhecimento e narrativas comprometidas com a justiça social.

[Veja a entrevista de Dália na íntegra ao final desta matéria.]

Segundo a assistente social, o Prêmio Rafael Estevão chega à 12ª edição como uma homenagem ao jornalista maranhense que dedicou sua trajetória à defesa dos direitos humanos. “O prêmio tem o objetivo de dialogar com as juventudes e ampliar o debate sobre segurança pública e seletividade penal, especialmente a partir das realidades das periferias”, afirma.

Prêmio na sua 12ª edição traz o tema “Segurança pública e agenda eleitoral: perspectivas para 2026”. Na imagem registro da premiação em 2025. (Imagem: SMDH)

Neste ano, o prêmio traz uma novidade voltada aos estudantes do ensino médio: a substituição da redação tradicional pela produção de vídeos curtos, acompanhados de texto explicativo. “A ideia é também despertar a criatividade dos estudantes, estimulando novas formas de expressão”, destaca Dália. Para universitários, segue a modalidade de artigo científico.

As produções vencedoras serão publicadas na revista anual da entidade, a Catarina, e os três primeiros colocados de cada categoria receberão premiação em dinheiro, no valor de R$ 1 mil. O tema desta edição é “Segurança pública e agenda eleitoral: perspectivas para 2026”. A iniciativa propõe uma reflexão sobre o tema e sua relação com a agenda eleitoral, questionando quais propostas efetivamente dialogam com a perspectiva dos direitos humanos.

Já o I Concurso Nacional de Reportagens sobre Direitos Humanos é voltado a jovens de 18 a 29 anos, ligados a coletivos e organizações sociais. A proposta é estimular reportagens que abordem a proteção de defensores e defensoras de direitos humanos. “Infelizmente, ainda precisamos falar de proteção, porque quem defende direitos continua sendo ameaçado no Brasil”, pontua Dália.

As reportagens selecionadas receberão certificação e terão veiculação em mídias alternativas e nas redes das organizações participantes do projeto.

A assistente social ressalta que parte do trabalho da SMDH envolve ações formativas em escolas e comunidades periféricas, onde muitos jovens têm contato com o tema pela primeira vez. “A gente identifica que muitos nunca discutiram direitos humanos em sala de aula e, muitas vezes, reproduzem narrativas distorcidas. Nosso papel é aproximar o tema da vida cotidiana, mostrando que direitos humanos têm a ver com escola, saúde e dignidade”, explica.

As inscrições para o concurso nacional de reportagens seguem até 20 de fevereiro, é só acessar o link; enquanto o Prêmio Rafael Estevão recebe trabalhos até 8 de março, clique aqui. Os editais e formulários estão disponíveis no site e no Instagram da SMDH, que também oferece canais para esclarecimento de dúvidas.

Acompanhe a entrevista com Dália Almeida, assistente social da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) concedida ao programa Dedo de Prosa.

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