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Gênero e sexualidade: mostra de cinema queer em São Luís

São Luís será palco da nona edição da Quelly – Mostra Internacional de Cinema de Gênero e Sexualidade. Entre os dias 27 e 30 de agosto, o Teatro João do Vale, no Centro Histórico de São Luís, o evento reúne, em mais um ano, produções nacionais e internacionais que discutem gênero, sexualidade e diversidade, muitas delas realizadas antes mesmo de o termo queer ser incorporado como pauta cultural.

Com curadoria dos cineastas George Pedrosa e Daniel Nolasco, a mostra é considerada a primeira iniciativa dedicada ao cinema LGBTQIAPN+ no Maranhão. Criada em 2019, a Quelly já realizou edições presenciais e virtuais, resistiu à pandemia e hoje se firma como espaço de memória, representatividade e formação.

“Quando comecei, não sabia que estávamos criando a primeira mostra desse tipo no estado. A ideia inicial era apenas abrir uma casa para filmes que não tinham espaço de exibição no Maranhão. Hoje, chegamos à nona edição e isso me emociona muito”, declarou o curador George Pedrosa, que esteve no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

A programação deste ano contará com cerca de 20 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens. As sessões começam às 14h30, 16h30 e 19h, sempre com entrada gratuita. A abertura será com o longa Salomé, do pernambucano André Antônio, premiado em sete categorias no Festival de Brasília.

A abertura será com o longa Salomé, do pernambucano André Antônio, premiado em sete categorias no Festival de Brasília. Imagem: divulgação

Outro destaque é a sessão de encerramento, no dia 30, que exibirá o longa maranhense “Crash”, produção independente sobre música, performance, vivência trans e negra, ao lado do clássico da pornochanchada “Onda Nova” (1983), estrelado por Regina Casé e Caetano Veloso. “A ideia é unir passado e futuro, mostrando como certos debates permanecem e como outros se transformam”, explicou Pedrosa.

Além das exibições, o público terá acesso a oficinas formativas gratuitas. O diretor André Antônio ministrará uma masterclass sobre o filme Salomé, enquanto a atriz pernambucana Aura do Nascimento conduzirá a oficina Metamorfose. Para o curador, essa proposta amplia o alcance da mostra: “Cinema não é só exibição, é também troca, formação e criação de novos projetos”.

A Quelly também presta homenagem à memória de Kelly da Silva, mulher trans assassinada em 2019. O nome da mostra é um tributo à sua história e um gesto de resistência contra a violência que atinge a população trans no Brasil. “É uma forma de manter viva a lembrança dela e de tantas pessoas que tiveram suas vidas interrompidas”, afirmou o cineasta.

Mostra homenageia Kelly da Silva, mulher trans assassinada em 2019 – o nome da mostra é um tributo à sua história. Imagem: rede social/ reprodução

Outra preocupação central é garantir acessibilidade. Todas as sessões terão tradução em Libras. “A mostra é pensada para ser inclusiva, um espaço de diversidade também na plateia. Queremos inspirar profissionais maranhenses e aproximar o público de obras que dificilmente chegariam aos cinemas comerciais”, destacou George Pedrosa.

A curadoria buscou obras de diferentes países e linguagens, privilegiando filmes que ampliam perspectivas sobre liberdade dos corpos, experiências trans e narrativas negras. “Não queríamos apenas reunir o cinema LGBTQIAPN+ recente, mas selecionar trabalhos que abram novos caminhos e não reproduzam violências contra nossos corpos”, disse Pedrosa.

A Mostra Quelly conta com apoio da Lei Paulo Gustavo, reafirmando a importância das políticas públicas para a produção e difusão cultural no Maranhão. “Sem esses editais, a mostra não existiria. É essencial lutar pela continuidade dessas políticas de fomento”, pontuou o cineasta.

A mostra exibe, também, os títulos “Todo Cuidado é Pouco”, de Ventura Profana, “Memorabilia”, “Kassandra com K”, de Rivanildo Feitosa, “Poesia no Vinho de Seus Lábios”, de Matheus Monteiro, e “Fabulosas – Operação Aranha”, de Th Fernandes e Lua Lamberti. Outro destaque é “Um Minuto é uma Eternidade Para Quem Está Sofrendo”, de Fábio Rogério e Wesley Pereira de Castro, um diário íntimo e honesto do diretor.

Confira na íntegra da entrevista com George Pedrosa no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

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