Estudantes, professores, pesquisadores e militantes de diferentes estados do país estarão reunidos em defesa do ensino público, gratuito e científico. (Imagem: Enepe) O 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEP) será realizado entre os dias 20 e 24 de julho, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís, reunindo estudantes, professores, pesquisadores e militantes de diferentes estados do país em torno da defesa do ensino público, gratuito e científico. Organizado pela Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia (ExNEPe), o evento terá como eixo central o debate sobre “a agressão imperialista ianque na América Latina e a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira”.
A menos de dois meses do encontro, a mobilização já ocorre em diversos estados. Além das mesas políticas e acadêmicas, a programação prevê atividades culturais, grupos de discussão, apresentações de trabalhos e manifestações públicas. A expectativa da organização é reunir delegações de universidades de todo o país, incluindo estudantes indígenas, quilombolas e camponeses.
“A educação segue sofrendo sucessivos ataques, cortes de verbas e alterações curriculares, independentemente de qualquer governo”, afirmou Rebeca Rodrigues, vice-presidente da ExNEPe e estudante da UFMA. A entrevista foi concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Segundo Rebeca, o encontro busca fortalecer a organização estudantil diante do que classificou como avanço da intervenção de organismos internacionais sobre a educação brasileira. Na avaliação dela, reformas curriculares recentes, mudanças no ensino médio e diretrizes educacionais seguem orientações de instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o FMI. “Nós acreditamos que existe um processo de sucateamento da educação para privatizá-la e interferir no conteúdo científico ensinado aos filhos do povo”, declarou.
A dirigente estudantil também afirmou que o debate proposto pelo ENEP pretende relacionar os problemas da educação brasileira ao cenário político internacional. “Não tem como achar que o caos está acontecendo lá fora e aqui dentro está tudo bem. O imperialismo já intervém na nossa economia e também na nossa educação”, disse.
Durante a entrevista, estudantes da Universidade de São Paulo (USP) denunciaram dificuldades para garantir transporte até São Luís. Gabriela Martins de Alexandre, estudante de pedagogia da USP de Ribeirão Preto e integrante da ExNEPe, afirmou que a Pró-Reitoria de Graduação teria voltado atrás no compromisso de custear ônibus para a participação da delegação paulista no encontro.
Segundo ela, a situação ocorre em meio à greve estudantil e de trabalhadores da universidade. “A gente não sabe se é uma forma de retaliação por conta da greve, mas o pró-reitor se nega a dar respostas”, criticou. Gabriela também denunciou problemas estruturais enfrentados pelos estudantes da USP, como precarização dos restaurantes universitários, falta de professores e dificuldades de permanência estudantil. “Temos relatos de estudantes encontrando vermes e larvas na comida dos bandejões”, afirmou.
A estudante relatou ainda que os atos de mobilização na USP incluíram ocupações estudantis e reivindicações ligadas ao aumento de bolsas permanência e melhorias nas condições de estudo. Para ela, impedir a participação dos estudantes no encontro nacional representa um ataque à organização política do movimento estudantil. “É um evento acadêmico e político fundamental para discutir os rumos da educação”, disse.
Rebeca Rodrigues afirmou que a organização do ENEP já contabiliza mobilizações de estudantes de estados como Pernambuco, Rondônia, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná. No Maranhão, segundo ela, grupos de municípios como Barra do Corda, Santa Inês, Grajaú, Buriticupu e Arame também tentam garantir transporte para participar do encontro.
A programação do 43º ENEP inclui debates sobre luta anti-imperialista, intervenção do Banco Mundial na educação, militarização das escolas, plataformização do ensino e o papel das licenciaturas na defesa da educação pública. Também estão previstas apresentações culturais com manifestações tradicionais maranhenses, como bumba meu boi e cacuriá, além de espaços de turismo e integração entre os participantes.
[Veja a entrevista de Rebeca Rodrigues, vice-presidente da ExNEPe e estudante da UFMA, ao programa Dedo de Prosa.]