O Dia Municipal da Mulher, celebrado em 19 de março em São Luís, reforça a importância da luta por direitos, do enfrentamento à violência e da ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres no município. A data, instituída por lei desde 1991, marca um momento de reflexão sobre avanços conquistados e desafios ainda persistentes.
Para a presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, Maria de Ribamar Fernandes Cardoso, a data tem papel estratégico na consolidação de políticas públicas. “As políticas públicas demandam muita responsabilidade do poder público para que sejam efetivadas. O nosso papel é garantir que essas ações cheguem de fato às mulheres”, afirmou.
A entrevista foi concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.
[Assista a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Segundo Maria de Ribamar, a luta por direitos das mulheres é histórica e ainda enfrenta obstáculos estruturais. “O que buscamos é que nossos direitos sejam respeitados em qualquer espaço. As mulheres sempre tiveram dificuldade no exercício desses direitos, e isso precisa mudar”, destacou.
Um dos principais desafios apontados é o enfrentamento à violência de gênero, considerada por ela um problema estrutural e cultural. “A violência contra a mulher é uma realidade que nos machuca e nos mata todos os dias. É preciso um esforço coletivo para mudar essa mentalidade”, disse.
Embora haja registro de redução em alguns indicadores recentes em São Luís, a presidente alerta que o cenário ainda é preocupante. “Os feminicídios continuam acontecendo e nos assustam. Ainda não conseguimos conter essa realidade de forma efetiva”, afirmou.
Nesse contexto, o Conselho Municipal da Condição Feminina atua no controle social e na fiscalização das políticas públicas. “Nosso trabalho é acompanhar, propor e orientar ações. Muitas vezes não é visível, mas é fundamental para que as políticas saiam do papel”, explicou.
Apesar dos avanços, Maria de Ribamar aponta limitações na atuação do poder público municipal. “O município ainda deixa a desejar na efetivação de políticas públicas. Há ações nas áreas de saúde, educação e assistência, mas elas não alcançam todas as demandas das mulheres”, avaliou.
Ela também destacou dificuldades na articulação institucional. “O conselho enfrenta barreiras, principalmente pela falta de maior proximidade com o Executivo. Isso acaba prejudicando o desenvolvimento de propostas mais efetivas”, afirmou.
Para fortalecer as políticas de igualdade de gênero, a participação dos movimentos sociais é considerada essencial. “Os movimentos de mulheres têm um papel histórico e fundamental na conquista de direitos e na ocupação de espaços. Eles são protagonistas dessa luta”, ressaltou.
Como medida urgente, Maria de Ribamar defende maior integração entre os poderes e investimento em educação para combater a violência. “Precisamos de um esforço conjunto e de ações educativas que ajudem a transformar mentalidades. Sem isso, não vamos avançar”, pontuou.
Ao final, a presidente reforçou o significado simbólico da data. “O Dia Municipal da Mulher é um momento de dar voz às nossas demandas, de cobrar políticas e de reafirmar a luta por dignidade e respeito. Ainda temos um longo caminho pela frente”, concluiu.
[Assista na íntegra a entrevista de Maria de Ribamar Fernandes Cardoso, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, ao Programa Dedo de Prosa.]