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Formação em Imperatriz fortalece rede de enfrentamento à violência contra a mulher

Entre 28 de agosto e 28 de novembro, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em Imperatriz, promove o curso de extensão “Fortalecendo a Rede de Atendimento à Violência contra a Mulher”, iniciativa voltada para capacitar profissionais que atuam no acolhimento de vítimas e no enfrentamento à violência de gênero.

O curso é fruto de uma parceria entre o Mestrado em Sociologia da UFMA, o Centro de Direitos Humanos Padre Josimo, a Rede de Atendimento à Violência contra a Mulher e a Casa da Mulher Maranhense. A coordenação é da assistente social Conceição Amorim e da professora Vanda Pantoja, doutora em Ciências Sociais.

A professora Vanda esteve no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, falando sobre a iniciativa.

[Confira a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Formação para profissionais da rede

Com 50 vagas, a formação é voltada a psicólogas, assistentes sociais, guardas municipais e outros profissionais da Casa da Mulher Maranhense, e busca, através de uma abordagem continuada, fortalecer essa rede de atendimento.

O conteúdo do curso trata a violência contra a mulher como questão de saúde pública e defende políticas interseccionais que considerem fatores como faixa etária, renda e escolaridade. “Nas primeiras aulas, os participantes são convidados a refletir: ‘O que acontece com a sociedade que, apesar dos esforços, mantém números alarmantes de violência contra a mulher?’ e ‘O que significa ser mulher neste contexto?’, explica a professora.

Naturalização da violência

Para Vanda, a naturalização da violência é um obstáculo central no processo de enfrentamento:

“Às vezes, a própria mulher não identifica que sofreu violência, porque ela está disseminada no cotidiano como se se fosse algo normal. É fundamental mostrar, logo no primeiro encontro, que não podemos naturalizar essa percepção.”

Ela acrescenta que muitas vítimas chegam à rede, mas acabam abandonando o processo por falta de continuidade no acolhimento. “Esse primeiro atendimento é essencial para que a mulher se sinta amparada e dê prosseguimento à denúncia”, ressalta acrescentado. “É preciso entender que quando uma mulher chega a um local e denuncia a violência, essa é uma atitude pensada e precisa ser reconhecida”.

Desafios institucionais

A coordenadora defende ainda que a formação seja estendida a policiais militares e outros profissionais da segurança pública que lidam diretamente com os casos.

“A violência contra a mulher não é um problema privado, é um problema público e de responsabilidade do Estado.”

Segundo Vanda, a estrutura do curso se baseia em normas técnicas e documentos orientadores nacionais, adaptados à realidade regional.

Para fechar, alerta que o desafio, é envolver não apenas profissionais, mas, antes, as próprias instituições: “As instituições precisam chamar para si essa responsabilidade. Quando um profissional muda sua conduta, a própria instituição também se transforma. É com essa perspectiva que trabalhamos.”

Confira a entrevista que a professora Vanda Pantoja, doutora em Ciências Sociais, deu no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

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