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Campanha salarial na Suzano cobra ganho real, contratações e igualdade

Na unidade da Suzano em Imperatriz, o sindicato denuncia que o aumento da produção tem sido acompanhado pela redução do número de trabalhadores, ampliando a sobrecarga e os riscos à saúde e à segurança da categoria. (Imagem: Brnmendez)

A redução do número de trabalhadores, a sobrecarga das equipes e as diferenças de salários e benefícios entre unidades da Suzano estão no centro da campanha salarial iniciada pelos trabalhadores da empresa em Imperatriz. Representada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Celulose e Papel do Sul do Maranhão (Sindcelma), a categoria também reivindica ganho real nos salários e melhorias nas condições de trabalho.

As negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 começam em um cenário no qual, segundo o sindicato, a produção da unidade de Imperatriz cresceu enquanto o quadro de funcionários diminuiu. Para o presidente do Sindcelma, Anthony Dantas, essa combinação tem provocado aumento das horas extras, sobrecarga e maior preocupação com a saúde e a segurança dos trabalhadores.

“Os trabalhadores vêm batendo metas e metas, garantindo a produtividade dessa unidade”, afirmou Anthony Dantas em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Segundo ele, atualmente a fábrica mantém cerca de 800 a 850 trabalhadores diretos, número inferior ao registrado em períodos anteriores.

[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]

Produção maior, quadro menor

Para o Sindcelma, uma das principais questões da campanha é justamente a relação entre produtividade e quantidade de trabalhadores. A fábrica funciona de forma contínua, 24 horas por dia, e o sindicato relata a ocorrência de jornadas prolongadas e horas extras excessivas.

Anthony relaciona essa realidade também aos riscos de adoecimento e acidentes. Durante a entrevista, ele citou um acidente ocorrido no ano passado, que resultou na amputação da perna de um trabalhador, e uma morte registrada anteriormente na unidade. “O lucro é importante, mas as vidas dos trabalhadores são muito mais importantes”, afirmou.

O sindicato também afirma receber reclamações relacionadas ao banco de horas e relata situações em que empregados não conseguem usufruir integralmente o intervalo para refeição. Segundo Anthony, o Sindcelma chegou a recorrer à Justiça em relação à intrajornada de trabalhadores que permanecem em atividades durante o período destinado à alimentação.

Sindicato cobra ganho real

A campanha salarial começou após o encerramento, em 31 de julho, do ciclo anterior do acordo coletivo. De acordo com Anthony, a expectativa é que as primeiras reuniões de negociação com a Suzano ocorram ainda neste mês. Entre as reivindicações está um reajuste acima da inflação, garantindo ganho real à categoria.

Segundo o dirigente, desde a instalação da empresa em Imperatriz, os trabalhadores conseguiram ganho real em apenas uma negociação. Nos demais anos, conforme relatou, os reajustes ficaram próximos à reposição da inflação. “Não dá sentido nenhum a empresa não dar um ganho real para os trabalhadores”, disse ao Dedo de Prosa.

Anthony também destacou uma conquista obtida na campanha anterior: a garantia de que o salário-base não ficasse abaixo do salário mínimo. Para o sindicato, porém, ainda existe uma distância entre as condições oferecidas aos empregados no Maranhão e aquelas encontradas em outras unidades da companhia.

“Queremos os mesmos direitos”

A equiparação de direitos e benefícios entre trabalhadores da Suzano em diferentes estados aparece como outro eixo da campanha. O Sindcelma questiona diferenças existentes entre Imperatriz e unidades localizadas em São Paulo, Bahia e Espírito Santo.

“É a mesma empresa, estamos no mesmo país, queremos os mesmos direitos”, resumiu Anthony. Segundo ele, os trabalhadores maranhenses não deveriam receber benefícios inferiores aos de colegas que exercem suas atividades em outras unidades da companhia.

O dirigente também relaciona a negociação salarial à economia da Região Tocantina. Na avaliação do sindicato, melhores salários e ampliação do número de empregos têm impacto direto no comércio e nos serviços de Imperatriz, porque parte da remuneração dos trabalhadores permanece na economia local.

Anthony argumenta ainda que a discussão precisa considerar os impactos sociais e ambientais da cadeia da celulose no sul do Maranhão, região onde vivem povos indígenas, quebradeiras de coco, ribeirinhos, agricultores familiares e outras comunidades tradicionais. Para ele, a presença de uma grande indústria deve se traduzir não apenas em produção e exportação, mas também em geração de empregos e distribuição de renda.

Mobilização para as negociações

Além de salários, quadro de funcionários e jornada, o Sindcelma pretende manter na pauta questões relacionadas ao plano de saúde e à qualidade da assistência oferecida aos trabalhadores de Imperatriz. O sindicato também busca ampliar sua articulação com entidades de outros estados e organizações internacionais do setor de papel e celulose.

Ao encerrar a entrevista, Anthony defendeu a participação direta da categoria durante a campanha salarial e voltou a cobrar valorização dos trabalhadores de Imperatriz. “Precisamos ser reconhecidos e valorizados nessa negociação”, afirmou. Para o dirigente, a mobilização dos empregados será determinante para pressionar por avanços no novo acordo coletivo.

[Assista a entrevista do presidente do Sindcelma, Anthony Dantas, ao programa Dedo de Prosa.]

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