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Bradesco segue prejudicando o Maranhão

Manifestantes do SEEB-MA realizam ato em frente a agência do Bradesco, em São Luís, contra demissões e o fechamento de unidades no Maranhão. (Imagem: Acervo Seeb-MA)

Mesmo com lucro superior a R$ 24 bilhões em 2025, o Bradesco segue fechando agências e demitindo trabalhadores, aprofundando a exclusão bancária no Maranhão. O cenário voltou a mobilizar o Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), que denuncia um processo contínuo de desmonte da rede bancária no estado.

No dia 17 de março, a entidade organizou um ato de alerta sobre o tema em uma agência do banco, em São Luís. Já na quinta-feira (19), o SEEB-MA realizou nova mobilização em Vargem Grande, município do Estado, onde a agência do Bradesco está com fechamento previsto para o dia 23 de março.

Além da manifestação, o sindicato pretende dialogar com autoridades locais na tentativa de barrar a medida.

Dirigentes do SEEB-MA realizam ato em frente à agência do Bradesco em Vargem Grande, contra o fechamento da unidade previsto para 23 de março. (Imagem: Acervo Seeb-MA)

De acordo com o sindicato, cerca de 300 agências foram fechadas no Brasil e quase 2 mil postos de trabalho foram eliminados.

“Um banco que lucra bilhões não pode continuar demitindo trabalhadores e fechando agências. Essa reestruturação prejudica os bancários e a população. O Sindicato vai seguir na luta, na Justiça e nas ruas, para barrar essas medidas”, afirmou o coordenador do Sindicato, Cláudio Costa.

No Maranhão, o impacto é ainda mais sensível: mais de 60 unidades já foram encerradas ou transformadas em escritórios digitais, atingindo tanto a capital quanto municípios do interior e ampliando o que especialistas e entidades vêm classificando como um processo de exclusão bancária.

A mobilização não é pontual. O SEEB-MA denuncia, ao longo dos anos, os efeitos dessa reestruturação, que já resultou no fechamento de dezenas de agências em cidades maranhenses.

Interior mais vulnerável e economia afetada

Nos municípios, os impactos vão além da perda de empregos. Em muitos casos, o encerramento dos serviços bancários obriga moradores a se deslocarem longas distâncias para acessar atendimento, afetando especialmente idosos, aposentados e beneficiários de programas sociais, além de comprometer a dinâmica econômica local.

Há cidades em que a população precisa percorrer até 30 quilômetros — ou até atravessar rios — para realizar operações simples, como saques e pagamentos.

O fechamento de agências também reduz a circulação de dinheiro, fragiliza o comércio e impõe obstáculos ao acesso a serviços básicos.

O sindicato também alerta para o aumento da sobrecarga e do adoecimento entre os trabalhadores que permanecem, diante da redução das equipes e da pressão por metas em estruturas cada vez mais enxutas.

Função social em xeque

Outro ponto recorrente nas críticas é o papel histórico do Bradesco no estado. Em 2004, a instituição adquiriu o Banco do Estado do Maranhão (BEM), que tinha forte capilaridade e relevância social, especialmente em municípios menores. Para o sindicato e outras entidades, essa herança implicaria um compromisso com a manutenção do atendimento bancário e com o desenvolvimento regional — o que, segundo as denúncias, vem sendo progressivamente abandonado.

A venda do BEM, que completou 21 anos em 2025, ainda é alvo de questionamentos não esclarecidos e volta ao debate sempre que novas agências são fechadas. Para os trabalhadores, o movimento atual representa não apenas uma reestruturação empresarial, mas uma ruptura com a função social que justificou a presença do banco em diversas regiões do Maranhão.

A estratégia, segundo a entidade, segue combinando pressão social, articulação institucional e ações judiciais. “O Sindicato vai seguir na luta, na Justiça e nas ruas”, reforçou Cláudio Costa.

O cenário indica que, longe de arrefecer, o conflito entre a política de reestruturação do banco e os impactos sociais no Maranhão tende a se intensificar — com efeitos diretos não apenas para a categoria bancária, mas para toda a população que depende do acesso ao sistema financeiro.

“Não podemos aceitar o fechamento de agências, especialmente em cidades do interior, onde a população depende diretamente do atendimento presencial. O Sindicato vai continuar mobilizado, cobrando responsabilidade social do banco e defendendo os empregos e os direitos dos trabalhadores”, concluiu Cláudio Costa.

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