A organização sindical e a luta por direitos seguem como pilares centrais para as assistentes sociais no Maranhão. Em meio à expansão das políticas públicas nas últimas décadas, a categoria denuncia que o crescimento do mercado de trabalho veio acompanhado de vínculos precários, baixos salários e sobrecarga de funções.
O alerta foi feito pela presidenta do Sindicato de Assistentes Sociais do Estado do Maranhão (SASEMA), Luciana Azevedo, e pela ex-secretária da entidade, Ana Patrícia Rodrigues, ao discutirem os desafios e avanços da categoria. “A gente tem uma expansão do trabalho, mas de forma extremamente precarizada. É uma profissão que garante direitos, mas tem os próprios direitos negados”, afirmou Luciana.
A entrevista foi concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, onde as representantes também fizeram um balanço da atuação recente do sindicato. Entre as principais pautas estão a realização de concursos públicos, a valorização profissional e melhores condições de trabalho nas áreas de assistência, saúde e educação.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Segundo Luciana, uma das conquistas recentes foi a convocação de concursados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedes), além da inclusão de assistentes sociais em seleções da área da educação. “Nenhuma vitória foi individual. Tudo foi construído em parceria com conselhos, fóruns e outras categorias”, destacou.
Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Na saúde, a categoria enfrenta denúncias recorrentes de assédio moral e adoecimento. Já na assistência social, há sobrecarga de demandas e acúmulo de funções. “A assistência acaba sendo chamada para resolver falhas de outras políticas, o que aumenta a pressão sobre os profissionais”, explicou.
Outro ponto crítico é a relação com o sistema de Justiça. De acordo com Luciana, assistentes sociais da assistência são frequentemente pressionadas a realizar tarefas que não são de sua atribuição. “Há requisições indevidas, constrangimentos e até ameaças de responsabilização. Isso é reflexo da falta de prioridade e de estrutura”, afirmou.
Ana Patrícia Rodrigues destacou que a precarização dos vínculos impacta diretamente a autonomia profissional. “Sem estabilidade, muitos trabalhadores acabam aceitando situações inadequadas por medo de perder o emprego”, disse. Para ela, a realização de concursos públicos é fundamental para garantir segurança e qualidade no serviço prestado.
A reestruturação do sindicato também aparece como desafio. Retomado em 2013, o SASEMA ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua base de filiadas e consolidar sua estrutura administrativa. “A gente precisa de mais profissionais engajadas. O sindicato somos todas nós”, reforçou Ana Patrícia.
As entrevistadas também defenderam a aprovação do piso salarial da categoria, atualmente em discussão no Congresso Nacional. A proposta prevê um valor de referência de R$ 5.500, além da ampliação do orçamento para políticas sociais. “A nossa luta não é isolada. Ela está ligada ao financiamento das políticas públicas”, pontuou Luciana.
Ao final, as representantes fizeram um chamado à mobilização. “O trabalho do assistente social é essencial, mas ainda não é tratado como prioridade. Só com organização coletiva vamos avançar”, concluiu Ana Patrícia.
[Assista a entrevista da íntegra da presidenta do Sindicato de Assistentes Sociais do Estado do Maranhão (SASEMA), Luciana Azevedo, e da ex-secretária da entidade, Ana Patrícia Rodrigues, no programa Dedo de Prosa.]