Skip to main content

Área de proteção ambiental do Itapiracó chega aos 29 anos cercada por ameaças

A Área de Proteção Ambiental (APA) do Itapiracó completa 29 anos neste mês de junho e terá uma programação voltada à valorização e defesa de uma das principais áreas verdes da capital maranhense. (Imagem: Divulgação)

Uma das principais áreas verdes de São Luís chega aos 29 anos cercada por desafios que ameaçam sua preservação. Integrantes da sociedade civil que acompanham a Área de Proteção Ambiental (APA) do Itapiracó alertam para problemas como descarte irregular de lixo, ocupações irregulares, lançamento de esgoto, falta de cercamento e ausência de um plano de manejo para orientar a conservação da unidade.

As preocupações ganham destaque durante a programação que marca o aniversário da APA, celebrada neste mês de junho. Organizações ambientais e moradores da região aproveitam a data para chamar atenção para a necessidade de fortalecer a proteção de uma área considerada estratégica para a qualidade de vida de milhares de pessoas que vivem na Ilha de São Luís.

“A APA do Itapiracó é uma importante área de preservação da nossa cidade, do Maranhão e, por que não dizer, do planeta”, afirmou a engenheira civil Thereza Castro, integrante da comissão organizadora das comemorações dos 29 anos da unidade, em entrevista ao programa Dedo de Prosa.

[Veja a entrevista ao final desta matéria.]

Localizada em uma das regiões mais populosas da capital maranhense, entre bairros como Cohab, Cohatrac, Planalto Anil e Parque Vitória, a APA é considerada um dos principais remanescentes de vegetação da cidade. Além de abrigar fauna e flora nativas, a área contribui para a proteção de recursos hídricos e para a amenização das temperaturas em uma cidade cada vez mais impactada pela expansão urbana.

Falta de plano de manejo

Entre as principais preocupações apontadas pelos integrantes do Conselho Consultivo da APA está a ausência de um plano de manejo, instrumento previsto na legislação ambiental para orientar a gestão e definir regras de uso da unidade de conservação.

“Ninguém pode planejar algo que não conhece. O plano de manejo é o instrumento que vai nortear as ações da APA”, afirmou Thereza Castro.

Segundo a engenheira, a falta desse instrumento dificulta o enfrentamento de problemas históricos que afetam a área, como o descarte irregular de resíduos, a ocupação desordenada do entorno e o uso inadequado de espaços ambientalmente sensíveis.

Ela também chamou atenção para a situação do riacho Itapiracó, que atravessa a unidade de conservação. De acordo com a entrevistada, o curso d’água sofre com o lançamento de esgoto, situação que compromete a qualidade ambiental da área.

“No século XXI ainda nos damos o direito de jogar esgoto dentro de um corpo d’água. Isso é inaceitável”, declarou.

Pressões sobre a área protegida

Outro ponto destacado pela representante da sociedade civil é a redução da área protegida ao longo das últimas décadas.

Segundo Thereza Castro, a APA possuía originalmente cerca de mil hectares e atualmente conta com aproximadamente 300 hectares. Na avaliação dela, o dado demonstra a necessidade de fortalecer mecanismos de fiscalização e proteção para evitar novas perdas.

“Precisamos refletir sobre qual será a situação da APA nos próximos anos se não mudarmos essa realidade”, alertou.

A engenheira também apontou a necessidade de ampliar o cercamento da unidade e de enfrentar problemas relacionados ao descarte irregular de lixo. Segundo ela, resíduos domésticos, entulho da construção civil e até animais mortos são frequentemente encontrados em diferentes pontos da APA.

Programação busca aproximar população da APA

As comemorações pelos 29 anos da unidade incluem atividades voltadas à educação ambiental e ao fortalecimento da participação popular na defesa da área protegida.

A programação começa neste sábado (13) com uma passarinhada aberta ao público, a partir das 6h, na entrada da Rua das Hortas, no Setor Leste do Cohatrac IV. A atividade consiste na observação de aves e pretende estimular a população a conhecer melhor a biodiversidade existente na APA.

Também estão previstas uma Tribuna Livre, no dia 23 de junho, e um almoço de mobilização no dia 27. As atividades são organizadas por entidades da sociedade civil que atuam na defesa da unidade de conservação.

Para Thereza Castro, aproximar a população da APA é uma condição fundamental para garantir sua preservação.

“Ninguém cuida daquilo que não conhece”, resumiu a engenheira ao defender o fortalecimento da educação ambiental e do engajamento social em torno de uma das mais importantes áreas verdes de São Luís.

[Assista a entrevista da engenheira civil e participante da comissão organizado das comemorações Thereza Castro ao programa Dedo de Prosa.]

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x

Acesso Rápido

Mais buscados