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Ataque à democracia: candidato à Reitoria da UEMA denuncia tratamento desigual na eleição

O processo eleitoral para escolha da próxima Reitoria da Universidade Estadual do Maranhão tem sido alvo de questionamentos de candidatos e entidades da comunidade acadêmica. (Imagem: Acervo Rede)

A exoneração do professor Roberto Serra da direção da Agência Marandu, anunciada no último dia 1º de agosto, ampliou o debate sobre a condução das eleições para a Reitoria da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Candidato ao cargo, Serra afirma que a decisão, embora seja uma prerrogativa administrativa do reitor, adquire um significado político ao ocorrer durante o processo eleitoral e representa um ataque à democracia universitária.

Em entrevista ao programa Dedo de Prosa, o professor disse que a medida cria um ambiente de desigualdade entre os candidatos e pode comprometer a confiança da comunidade acadêmica na lisura da disputa. Segundo ele, o caso ultrapassa sua situação pessoal e coloca em debate princípios como isonomia, impessoalidade, pluralidade de ideias e liberdade de expressão dentro da universidade.

[Assista a entrevista ao final desta matéria.]

Exoneração em meio à disputa eleitoral

Roberto Serra afirmou que reconhece a legalidade da exoneração, já que cargos de confiança podem ser ocupados ou desocupados por decisão do gestor. Para ele, entretanto, o problema está no contexto em que a decisão foi tomada.

“O problema é que isso ocorra diante da iminente ação de candidatura a um processo eleitoral para a Reitoria”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa. Segundo o professor, universidades públicas devem ser referência em práticas democráticas e garantir igualdade de condições aos diferentes projetos apresentados à comunidade acadêmica.

Na avaliação do candidato, a disputa não deve ser tratada como um conflito entre pessoas, mas como uma escolha entre propostas para a gestão da instituição. “Nós não estamos falando de um embate contra indivíduos. Estamos colocando o nosso projeto de universidade como uma alternativa àquele que está posto”, declarou.

Reação da comunidade universitária

Serra afirmou ter recebido manifestações de solidariedade de professores, estudantes e servidores técnico-administrativos de diversos campi da universidade após a exoneração. Segundo ele, as mensagens vieram de diferentes áreas do conhecimento e municípios onde a UEMA mantém unidades presenciais e polos de apoio.

Para o professor, a repercussão demonstra a preocupação da comunidade universitária com o processo eleitoral e com a preservação da autonomia institucional. Ele também relatou perceber um ambiente de receio entre parte dos servidores.

“Algumas pessoas queriam vir falar comigo, mas estavam preocupadas de ser vistas ao meu lado. É inacreditável que isso esteja acontecendo”, afirmou ao programa.

Pedido de impugnação de candidaturas

Durante a entrevista, Roberto Serra informou que protocolou junto à Comissão Eleitoral um pedido de impugnação de duas candidaturas que, segundo ele, permanecem ocupando cargos de gestão na universidade enquanto disputam a eleição.

O candidato argumenta que sua exoneração foi motivada pela participação no processo eleitoral, enquanto integrantes de outras chapas continuaram exercendo funções comissionadas. Segundo Serra, essa diferença de tratamento compromete a igualdade de condições entre os candidatos e contraria o ambiente democrático que deve orientar as eleições em uma universidade pública. Com esse entendimento, ele protocolou um pedido junto à Comissão Eleitoral para questionar a permanência dos demais candidatos em cargos de gestão.

Ainda conforme o professor, cabe à Comissão Eleitoral analisar a situação. O atual reitor e os demais candidatos citados nas críticas não participaram da entrevista, não sendo possível apresentar suas manifestações sobre as declarações feitas por Serra.

Críticas ao processo eleitoral

Outro ponto levantado pelo candidato diz respeito à participação estudantil na organização das eleições.

Segundo Serra, a indicação de representantes discentes para a Comissão Eleitoral ocorreu por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, sem consulta aos centros acadêmicos. Para ele, isso enfraquece a participação dos estudantes na condução do processo e reduz os espaços de debate dentro da universidade.

O professor também criticou o calendário eleitoral, que, em sua avaliação, limita discussões importantes, como testes do sistema eletrônico de votação e debates públicos entre as chapas.

Agência Marandu e proposta para a universidade

Ao comentar sua saída da Agência Marandu, Serra afirmou que deixa uma estrutura consolidada, voltada à aproximação entre a produção científica da universidade e as demandas da sociedade.

Segundo ele, a agência reúne atualmente dezenas de iniciativas de inovação e empreendedorismo capazes de oferecer soluções em áreas como agricultura, inteligência artificial e tecnologias aplicadas ao desenvolvimento do Maranhão. O professor defendeu que a universidade amplie esse papel e fortaleça sua atuação nos municípios do interior do estado.

Nas considerações finais da entrevista, Roberto Serra reafirmou que pretende manter a campanha “no campo das ideias” e disse que continuará defendendo mudanças na gestão da universidade.

“Não me calarei, não deixarei de me posicionar diante de fatos que comprometem a democracia universitária”, declarou ao Dedo de Prosa.

[Assista na integra a entrevista do professor Roberto Serra ao programa Dedo de Prosa.]

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