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São Benedito do Rio Preto! Quilombo Cancela quer comer e trabalhar

Foto: Divulgação

O Quilombo Cancela, localizado no município de São Benedito do Rio Preto, depende da pesca, da roça e da caça para sobreviver.

Hoje existe na região um conflito fundiário e os quilombolas dizem que estão impedidos de trabalhar. Eles estão denunciando que existe fome na comunidade.

Em entrevista ao Jornal Tambor de terça-feira (11/06) a questão foi tratada. Entrevistamos Francisca Vieira Matias dos Santos, José Hilton de Lima, Francisco Rainan Matias dos Santos e Maelson da Silva. 

Eles são agricultores e quilombolas da comunidade Cancela. E Maelson é liderança do Quilombo Guarimã, ligado às Comunidades Eclesiais de Base e ao Fórum Carajás.

(Veja, ao final deste texto, o Jornal Tambor com a íntegra da entrevista de Francisca, José, Francisco e Maelson) 

Segundo os agricultores, desde 2022 a comunidade vem sofrendo ameaças e invasão do território.

Segundo a denuncia dos quilombolas, um fazendeiro teria dito para eles saírem do território. “Ele falou que ele tinha licença e que por isso, não era mais pra gente estar vivendo aqui”.

Francisco relatou que a comunidade tem medo do que pode acontecer caso o poder público não tome as devidas providências. 

“A gente tem medo que aconteça algo pior. Tem noite que não conseguimos dormir direito, porque eles podem acabar incendiando nossas casas ou fazer algo pior”, disse ele.

Os quilombolas denunciam um aumento alarmante do desmatamento na região, devido ao agronegócio. No caso de Cancela, até o cemitério da comunidade teria sido cercado.

Leia também: São Benedito do Rio Preto! Juçara é resistência contra a invasão da soja

Eles também enfatizam a questão da alimentação no quilombo.  “A gente não pode fazer nada, estamos sofrendo, passando fome. Nossos filhos pedem farinha, melancia, peixe mas não temos onde tirar”, disse o morador à Agência Tambor.

Governo do Estado

O Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) informa que o Quilombo Cancela não possui procedimento de identificação e reconhecimento no território quilombola em questão, estando tais procedimentos associados ao órgão federal responsável. No entanto, a gestão estadual, através da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) está acompanhando a situação do Quilombo por meio da Comissão Estadual de Combate à Violência no Campo e na Cidade (COECV).

De acordo com informações da comissão, a questão possessória do quilombo Cancela aguarda a conclusão de processo judicial. A Sedihpop segue monitorando o caso para articular medidas de segurança e evitar o agravamento do conflito.

É importante destacar que todas as ocorrências de conflitos no campo que forem registradas e que sejam competência estadual são investigadas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), através da Polícia Civil, buscando identificar e prender autores pela prática de crimes deste tipo.

Por fim, a gestão estadual destaca que as eventuais denúncias de violações de direitos podem ser formalizadas pela Ouvidoria dos Direitos Humanos no número (98) 99104-4558.

(Confira abaixo a edição do Jornal Tambor, com a entrevista completa de Francisca, José, Francisco e Maelson.)

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