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Editorial — André Fufuca, a miséria do Maranhão e a censura ao jornalismo local

O poder de André Fufuca e Fernando Sarney tem origem na miséria política do Maranhão, que envolve diretamente a comunicação. (Imagem: Imirante)

O deputado federal André Fufuca (PP-MA), candidato ao Senado na chapa de Eduardo Braide, entrou ontem (02/09) na Justiça Eleitoral para tentar “remover imediatamente” o artigo de autoria do jornalista Ed Wilson Araújo, intitulado “Fufucar: a miséria da política no Maranhão”.

O texto foi publicado no blog do próprio Ed Wilson. A Justiça negou o pedido do candidato. Diante da primeira derrota, André Fufuca teria percebido que estava mexendo num vespeiro e que seria melhor desistir da ação.

A Agência Tambor entende que “O Caso Fufucar” é um assunto importante da política maranhense e brasileira, relacionado ao exercício do jornalismo e à luta pela democracia.

A oligarquia do Maranhão — onde André Fufuca nasceu, se criou e agora segue fufucando ao lado de Eduardo Braide — não gosta de jornalismo a serviço do interesse público. Ao longo da história, essa estrutura de poder, de cunho coronelista, sempre buscou controlar a comunicação no Estado.

Máfia, comunicação e censura

O império midiático que José Sarney montou no Maranhão há mais de 50 anos, às custas de dinheiro público, é um exemplo do que não deveria existir em termos de comunicação no Brasil, se os princípios fossem minimamente democráticos.

O chamado Sistema Mirante é administrado por Fernando Sarney, filho do coronel, o mesmo que é dirigente da CBF e que, este ano, “não teve currículo” para ser candidato a suplente de senador na chapa da irmã, Roseana…

Estamos falando do mesmo oligarca José Sarney, padrinho do Fufucar, que, no final da década de 1960, em plena ditadura militar, tentou silenciar os artigos de Domingos Freitas Diniz — este, sim, um maranhense que atuou na linha de frente do combate à ditadura implantada no Brasil a partir de 1964.

Domingos Freitas Diniz, autor de vários artigos publicados em diferentes jornais, foi uma voz que José Sarney tentou silenciar. (Imagem: Jornal Vias de Fato)

“Jornalismo”, para essa turma sarno-fufuqueira — de padrão ultraconservador —, é aquele que frauda a história, faz propaganda política, atua como pistoleiro midiático, naturaliza atrocidades e silencia diante dos inúmeros desmandos que ocorrem diariamente no Estado, inclusive diante do trabalho escravo.

Além da tentativa de controle absoluto, a liberdade “jornalística” só é bem-vista por esse poder maranhense quando serve às futricas e aos achismos sobre questões que não têm a mínima relevância; quando a política é tratada como mexerico, como se fosse um antigo colunismo social.

É um compromisso!

Quando surge uma crítica direta a integrantes dessa estrutura oligárquica, associada a informações pertinentes, o poder local acredita que precisa abafar. De uma forma ou de outra, busca silenciar a mensagem insubordinada. Foi exatamente o que aconteceu no “Caso Fufucar”.

O jornalista maranhense Ed Wilson Araújo, professor do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com mestrado e doutorado na área, vem atuando há algum tempo na luta pela democratização da comunicação no Brasil.

Ed Wilson, com o livro Vozes do Anjo, trata da história do movimento de rádios comunitárias no bairro do Anjo da Guarda, em São Luís. (Imagem: Acervo pessoal)

Em São Luís do Maranhão, a trajetória de Ed começou e se mantém no Movimento de Rádios Comunitárias, passou pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e, a partir de 2017, pela construção da Agência Tambor.

Sendo assim, num Brasil em que a comunicação é dominada por um nefasto aliciamento digital, reafirmamos nosso compromisso com o professor Ed Wilson e com todo um jornalismo maranhense desobediente à oligarquia local: o jornalismo que desacata os eternos promotores de miséria.

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