Mais de 400 bancários e bancárias do Maranhão aprovaram estado de greve e a adesão à paralisação nacional desta quinta-feira (20), em meio à cobrança por reajuste, emprego, saúde e melhores condições de trabalho. (Imagem: Magnific) Mais de 400 bancários e bancárias do Maranhão decidiram rejeitar a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), aprovar o estado de greve e aderir à paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (20). A decisão foi tomada durante assembleia geral híbrida realizada na terça-feira (18) pelo Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA).
A mobilização ocorre em um momento decisivo da campanha salarial da categoria. Com data-base em 1º de setembro, trabalhadores cobram reajuste salarial, reposição das perdas, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), preservação de empregos, melhorias nas condições de trabalho e medidas relacionadas à saúde.
Em São Luís, a concentração está marcada para a Praça Deodoro, no Centro. No interior do estado, o sindicato informa que haverá mobilizações em diferentes municípios, com uso de faixas e adesivos nas unidades bancárias.
Negociação se aproxima da data-base
Na rodada mais recente de negociação, a Fenaban retirou propostas que previam reajustes diferenciados por faixas salariais e redução dos valores dos tíquetes. Para o SEEB-MA, no entanto, os recuos são insuficientes diante das reivindicações apresentadas pela categoria.
O sindicato avalia que as negociações avançam lentamente enquanto se aproxima a data-base. Segundo a entidade, questões consideradas centrais pelos trabalhadores permanecem sem resposta. O SEEB-MA classificou os recuos da Fenaban como parte de um “teatro” que não altera, até o momento, o núcleo da proposta discutida com os bancários.
A próxima rodada de negociação entre a representação dos trabalhadores e a Fenaban está prevista para segunda-feira (24), pouco mais de uma semana antes da data-base.
Bancos públicos também têm reivindicações específicas
Além das pautas gerais da campanha nacional, funcionários dos bancos públicos apresentam reivindicações próprias. No Banco do Brasil, uma das cobranças é pelo fim do programa Performa. Na Caixa Econômica Federal, os trabalhadores defendem o modelo 70/30 de custeio do Saúde Caixa e o fim do teto de 6,5%.
No Banco do Nordeste (BNB), a reivindicação envolve a manutenção da atual regra da PLR. Já no Banco da Amazônia (BASA), os trabalhadores cobram um Plano de Cargos e Salários (PCS) que, segundo as entidades sindicais, garanta maior valorização da carreira.
Estado de greve amplia pressão da categoria
A aprovação do estado de greve não significa que uma greve tenha sido iniciada. A medida indica que a categoria permanece mobilizada e autoriza a construção de uma possível paralisação por tempo indeterminado caso as negociações não avancem. Uma eventual greve ainda depende dos procedimentos e deliberações da categoria.
Outro ponto de tensão é a ausência de ultratividade dos acordos coletivos — mecanismo que permitiria a manutenção das cláusulas de um acordo após o fim de sua vigência, enquanto um novo instrumento não fosse firmado.
Segundo o SEEB-MA, a proximidade da data-base e a inexistência dessa garantia aumentam a pressão para que a campanha salarial seja concluída rapidamente. A entidade, porém, argumenta que esses fatores não devem servir para levar os trabalhadores a aceitar uma proposta considerada insuficiente.
Para o sindicato maranhense, a paralisação desta quinta-feira deve funcionar como uma demonstração nacional de mobilização antes da nova rodada de negociação. O SEEB-MA defende que, caso não haja avanços, a categoria discuta a construção de uma greve nacional como forma de pressionar os bancos e impedir perdas de direitos.