Nas eleições de 2026, o Sindsalem reforça que o voto deve considerar não apenas promessas de campanha, mas o histórico das candidaturas na defesa dos direitos, do serviço público e das instituições democráticas. (Imagem: ChatGPT) Com a campanha eleitoral oficialmente iniciada, o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Maranhão (Sindsalem) divulgou uma carta aberta convocando a categoria a refletir sobre democracia, direitos trabalhistas e valorização do serviço público antes de escolher seus candidatos nas eleições de 2026. A entidade afirma que não apoia partidos ou candidaturas, mas defende que propostas e trajetórias políticas sejam consideradas na decisão do voto.
O chamado ocorre no início de um período decisivo da disputa eleitoral. Desde domingo (16), está autorizada a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
Voto consciente e direitos
Na carta, o Sindsalem afirma que seus dirigentes e filiados têm liberdade para manifestar suas posições políticas individualmente. Institucionalmente, no entanto, o sindicato diz orientar sua atuação pela defesa do serviço público, do regime democrático, das instituições republicanas e dos direitos dos trabalhadores.
“Mais do que promessas de campanha, observe quem, ao longo da vida pública, esteve ao lado da classe trabalhadora, do serviço público e das instituições democráticas”, afirma a entidade no documento. Para o sindicato, a liberdade de escolha precisa ser acompanhada da compreensão de que decisões eleitorais produzem consequências para os direitos dos trabalhadores e para o funcionamento do Estado.
Entre os pontos que o Sindsalem propõe que sejam observados estão o compromisso das candidaturas com a Constituição e o Estado Democrático de Direito, a realização de concursos públicos, a nomeação de aprovados, a estabilidade e a valorização dos servidores efetivos. A entidade também cita a defesa do quinquênio, dos adicionais de qualificação, da negociação coletiva e da autonomia sindical.
O documento amplia a reflexão para questões que ultrapassam a categoria. O sindicato inclui entre os critérios a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação pública, da ciência, das políticas sociais, do fim da escala 6×1 e do combate ao racismo, à misoginia, à LGBTfobia e a outras formas de discriminação.
Democracia também está em disputa
Ao justificar o chamado, o Sindsalem recupera acontecimentos recentes que, na avaliação da entidade, demonstram como mudanças políticas podem interferir diretamente nas relações de trabalho e no serviço público. Entre eles está a proposta de reforma administrativa apresentada no governo anterior, que, segundo o sindicato, ameaçava a estabilidade, fragilizava carreiras e ampliava formas precárias de contratação.
A carta também menciona alterações na legislação trabalhista, ataques à organização sindical, restrições ao diálogo com trabalhadores e discursos de desvalorização do funcionalismo. “A experiência recente demonstra que nenhum direito é permanente. Conquistas podem ser ampliadas, mas também podem ser reduzidas quando deixam de ser defendidas”, afirma o Sindsalem.
A mobilização acontece ainda em uma eleição marcada pela preocupação com a circulação de informações falsas e conteúdos manipulados. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou o enfrentamento à desinformação entre as prioridades para o pleito de 2026 e vem promovendo ações para estimular a checagem de conteúdos e o voto informado. Neste ano, o Tribunal também firmou acordos com plataformas digitais e partidos políticos voltados à integridade do processo eleitoral e ao combate à desinformação.
Serviço público no Maranhão
No âmbito da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), onde representa os servidores, o Sindsalem relaciona o debate eleitoral a reivindicações que fazem parte de sua atuação sindical. A entidade afirma que continuará defendendo novos concursos públicos, a ampliação do quadro efetivo, a valorização das carreiras e a redução da dependência de cargos comissionados e trabalhadores terceirizados.
Para o sindicato, essas reivindicações não dizem respeito apenas às condições de trabalho dos servidores. A carta associa a valorização do funcionalismo à capacidade do Estado de prestar serviços públicos, garantir direitos e enfrentar desigualdades. “O Sindsalem acredita em um Brasil com instituições fortes, servidores valorizados, direitos respeitados e serviços públicos universais e de qualidade”, registra o documento.
Ao final, a entidade resume o chamado feito à categoria para o período eleitoral: “Vote consciente. Defender o serviço público é defender toda a sociedade”. A mensagem reforça a proposta central da carta: mais do que escolher nomes nas urnas, observar quais projetos políticos podem ampliar ou reduzir direitos e quais compromissos as candidaturas mantêm com a democracia, os trabalhadores e os serviços públicos.
Leia a carta do sindicato na íntegra.