Cortes no Bradesco no Maranhão acontecem em meio à Campanha Salarial dos bancários, que tem a defesa do emprego entre suas principais reivindicações (Imagem: Acervo Rede) O Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA) contabilizou 15 demissões de trabalhadores do Bradesco nas últimas semanas no estado. Diante dos desligamentos, a entidade lançou uma campanha para denunciar os cortes e cobrar do banco a manutenção dos empregos e a retomada das contratações.
Segundo o levantamento do sindicato, ainda em atualização, dez demissões ocorreram em municípios do interior e cinco em São Luís. Entre os trabalhadores desligados está o ex-dirigente sindical Marcos Vandaí.
Os cortes acontecem em meio à Campanha Salarial dos bancários, que tem a defesa do emprego entre suas principais reivindicações. Para o SEEB-MA, as demissões ganham ainda mais peso diante dos resultados financeiros apresentados pelo Bradesco e da redução de sua estrutura de atendimento no país.
Lucro cresce, empregos diminuem
Em 2025, o Bradesco registrou lucro de R$ 24,6 bilhões. Ao mesmo tempo, de acordo com os dados divulgados pelo sindicato, o banco extinguiu 3.131 postos de trabalho e fechou 296 agências no país nos últimos 12 meses.
Para o SEEB-MA, a redução do quadro de funcionários não afeta apenas os trabalhadores desligados. A entidade relaciona os cortes ao aumento da sobrecarga entre os bancários que permanecem empregados e à redução do atendimento presencial à população, especialmente em locais atingidos pelo fechamento de agências.
“O Bradesco transforma lucro em demissões. Quem paga essa conta são os bancários, suas famílias e a população, que enfrenta mais filas, sobrecarga de trabalho e fechamento de agências. O banco precisa parar de demitir e voltar a contratar”, afirmou Lívia Morais, coordenadora do SEEB-MA.
Sindicato prevê ampliar mobilização
A campanha lançada no Maranhão pretende dar visibilidade aos desligamentos e ampliar a pressão sobre o Bradesco durante as negociações da categoria. Segundo o sindicato, a mobilização deve ocorrer nos locais de trabalho, por meio de manifestações e assembleias.
A entidade também admite discutir um estado de greve caso os desligamentos continuem. Na avaliação do SEEB-MA, a organização dos trabalhadores será necessária para tentar conter novas demissões e fortalecer a defesa do emprego na Campanha Salarial.
Além dos impactos sobre os bancários, o sindicato chama atenção para as consequências da redução da presença física do Bradesco. O fechamento de agências e a diminuição do número de funcionários podem atingir principalmente clientes que dependem do atendimento presencial.
O SEEB-MA informou que continuará atualizando o levantamento das demissões no Maranhão e realizando ações contra os cortes. A entidade defende que os resultados financeiros do setor bancário sejam acompanhados pela preservação dos postos de trabalho e por condições adequadas de atendimento à população.