Orientação técnica e escuta de fazedores de cultura durante atividade do Comitê de Cultura em Junco do Maranhão.(Imagem: Divulgação) Após ter uma de suas experiências destacadas pelo Ministério da Cultura durante a reunião nacional do Programa Nacional dos Comitês de Cultura, realizada em Brasília, o Maranhão inicia uma nova etapa de fortalecimento das políticas culturais. O Comitê de Cultura do Maranhão passa a executar, nos próximos seis meses, 40 novas ações formativas, ampliando sua atuação territorial e fortalecendo o acesso dos fazedores de cultura às políticas públicas em diferentes regiões do estado.
A coordenadora do Comitê de Cultura do Maranhão, Nadir Cruz, afirma que o novo ciclo busca consolidar o trabalho desenvolvido nos últimos dois anos e aprofundar o diálogo com municípios e comunidades tradicionais. “Nós vamos entrar também com informações sobre os conselhos municipais, que serão necessários para a implementação do plano em cada município. A gente vai contribuir com as políticas públicas”, afirmou em entrevista ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
Nova etapa prevê 40 ações formativas
O Comitê continuará atuando nos 22 municípios já atendidos e deverá incluir pelo menos mais dois municípios durante a execução do aditivo, previsto para ocorrer entre agosto e dezembro.
Ao todo, estão previstas cerca de 40 ações formativas, que deverão alcançar aproximadamente cem participantes diretamente, além das atividades de mobilização e comunicação realizadas nos territórios. As formações abordarão temas como elaboração de projetos culturais, construção de portfólios, acesso à Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e outros editais públicos.

Segundo Nadir Cruz, outra frente de atuação será estimular a criação e o fortalecimento dos Conselhos Municipais de Cultura. “Nós já estamos solicitando a parceria dos gestores municipais para juntar forças, para que esses fazedores de cultura, as comunidades indígenas, comunidades de terreiro e comunidades tradicionais tenham mais acesso e mais conhecimento desses direitos que lhes são garantidos”, disse.
Levar informação onde ela ainda não chega
Para a coordenadora, um dos maiores desafios continua sendo fazer com que as políticas culturais alcancem quem vive distante dos grandes centros e, muitas vezes, sequer se reconhece como sujeito desses direitos.
“O pescador que tece a rede, a pessoa que faz o cofo, a gaiola, o decorador… tudo isso é cultura. Nós precisamos fazer com que essas pessoas se conscientizem de que também têm direito, de que também precisam acessar essas políticas públicas”, afirmou Nadir.
Segundo a coordenadora, as dificuldades vão além das distâncias geográficas. O trabalho também exige aproximação com gestores municipais, lideranças comunitárias e instituições de ensino para construir redes capazes de mobilizar fazedores de cultura em comunidades indígenas, quilombolas, ciganas, povos de terreiro e outros segmentos tradicionais.
“Inicialmente eu vou sozinha, converso com o gestor, explico o que é o Comitê de Cultura. Depois a gente leva toda a equipe. Quando o fazedor de cultura entende o que estamos dizendo, ele vai repassando essa informação para outras pessoas. Aí está construída a teia”, relatou ao programa.
Formação para ampliar o acesso aos editais
Nadir Cruz ressaltou que o papel do Comitê não é elaborar projetos para os fazedores de cultura, mas oferecer formação para que eles próprios consigam acessar editais e políticas públicas.
“Às vezes a gente deixa de participar de editais porque não domina essa arte. O Comitê não elabora projeto; ele faz a formação para que a pessoa aprenda a fazer”, explicou durante a entrevista.
Além das ações itinerantes, o Comitê mantém atendimento presencial semanal em São Luís para orientação técnica, esclarecimento de dúvidas e apoio a instituições culturais que enfrentam dificuldades relacionadas à documentação ou ao acesso aos mecanismos de financiamento.
Defesa de uma política permanente
Embora o Programa Nacional dos Comitês de Cultura caminhe para sua etapa final, Nadir Cruz defende que a experiência construída no Maranhão tenha continuidade por meio de uma política pública estadual.
“Esse programa tem começo, meio e fim. Mas seria muito bacana dar continuidade a esse trabalho. Por que não um comitê estadual? O poder público poderia mobilizar ainda mais os fazedores de cultura e fortalecer esse trabalho nos municípios”, afirmou.
Na avaliação da coordenadora, a continuidade da iniciativa permitiria ampliar a formação dos agentes culturais, fortalecer as redes de mobilização e contribuir para que mais trabalhadores da cultura tenham acesso às políticas públicas. “Cultura é educação. A gente precisa ter mais carinho com os fazedores de cultura, porque eles são responsáveis por manter viva a nossa memória e as nossas tradições”, concluiu.
[Assista a entrevista de Nadir Cruz, coordenadora do Comitê de Cultura do Maranhão, ao programa Dedo de Prosa.]