Os professores aguardam as negociações, principalmente após o anúncio de 10% para a educação básica e nenhuma definição para as universidades. (imagem: Rede Social) Apesar do anúncio de reajuste de 10% para professores do ensino médio da rede estadual, o Governo do Maranhão ainda não informou qual será o índice destinado aos docentes da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). A ausência de definição tem intensificado a cobrança do Sindicato dos Docentes das Universidades Estaduais Públicas do Maranhão (SINDUEMA), que reivindica equiparação salarial e abertura imediata de negociação.
A categoria afirma que, até o momento, não houve reunião formal com o governo para tratar do reajuste. Segundo os dirigentes sindicais, a mobilização ocorre em um cenário de defasagem acumulada e de insatisfação crescente entre professores.
O tema foi debatido nesta quinta-feira (12), no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor, que entrevistou os professores João Coelho e Saturnino Moreira, dirigentes do SINDUEMA. Durante a conversa, os docentes detalharam as reivindicações e criticaram o que classificam como falta de diálogo por parte do Executivo estadual.
[Veja a entrevista na íntegra ao final desta matéria.]
De acordo com João Coelho, o sindicato ainda aguarda o início efetivo das negociações. “Nós estamos aguardando o início das negociações. Não fomos recebidos. A base está agitadíssima, principalmente após o anúncio de 10% para a educação básica e nenhuma definição para a UEMA e a UEMASUL”, afirmou. Ele lembrou que, historicamente, reajustes concedidos à educação básica não são automaticamente estendidos ao ensino superior estadual.
O dirigente destacou que, atualmente, o vencimento inicial de 20 horas na UEMA é de R$ 4.885,79, enquanto o valor anunciado para 40 horas na educação básica, com o novo reajuste, pode ultrapassar R$ 9 mil. “Nós queremos equiparação. A UEMA faz parte da educação do Maranhão. Formamos professores, produzimos pesquisa e contribuímos para o desenvolvimento do estado”, disse.
Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão a inclusão automática da UEMA e da UEMASUL nos reajustes da educação estadual a partir de 2026, a equiparação entre as cargas horárias e a correção da defasagem acumulada. Coelho também criticou o percentual de 2,5% concedido nos últimos anos. “Recebemos 2,5% com inflação superior a 4%. Isso aumenta a defasagem”, pontuou.
Já o professor Saturnino Moreira chamou atenção para o que considera descumprimento do orçamento constitucional destinado ao ensino superior. Segundo ele, a Constituição Estadual determina percentuais mínimos para a educação e para o ensino superior. “Não é falta de recurso, é escolha política. O orçamento é aprovado, mas na execução há remanejamentos. O ensino superior não é prioridade”, declarou.
O docente afirmou que, em 2024, parte significativa dos recursos previstos para as universidades estaduais não teria sido integralmente repassada. Para ele, a situação impacta diretamente a valorização docente, a pesquisa e a permanência de professores qualificados na instituição. “Hoje vemos professores desestimulados e procurando outras universidades. Isso tem consequências para os estudantes e para o próprio estado”, ressaltou.
Questionado sobre a possibilidade de greve, Coelho disse que o sindicato ainda aposta no diálogo. “Não podemos dizer que as negociações estão esgotadas porque elas nem começaram. Nós queremos conversar e ter uma resposta antes do início das aulas”, afirmou, referindo-se ao calendário acadêmico previsto para o fim de fevereiro e início de março.

O outro lado
A Agência Tambor entrou em contato com o Governo do Maranhão para solicitar posicionamento sobre as declarações do sindicato e sobre a previsão de reajuste para os docentes da UEMA e da UEMASUL. Até o momento, não recebemos nenhuma posição. Assim que a equipe de reportagem receber as informações, está matéria será atualizada.
Assista na íntegra a entrevista com os professores João Coelho e Saturnino Moreira, dirigentes do SINDUEMA, no programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.