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COP30: agronegócio no Maranhão tem impacto enorme no aquecimento global

O Maranhão está entre os Estados que mais emite gases poluentes – 78% dessas emissões no Estado vem do agronegócio. Mayke Toscano/Gcom-MT

O Maranhão, um dos estados mais ricos em biodiversidade do país, figura entre os maiores responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Segundo o advogado e ambientalista Guilherme Zagallo, do Movimento de Defesa da Ilha, o estado emitiu 173 milhões de toneladas de gases em 2023, o que representa 0,3% das emissões globais. “Setenta e oito por cento dessas emissões vêm do uso da terra — leia-se desmatamento, queimadas e agropecuária. É um volume estratosférico”, afirmou.

Os dados apontados são do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), órgão das Nações Unidas (ONU). Esses resultados colocam o Maranhão na terceira posição entre os estados brasileiros que mais contribuem para o aquecimento global do planeta.

O cenário reforça o alerta de que o Maranhão precisa estar no centro das discussões durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro. Para Zagallo, “a elite agrária maranhense continua lucrando com um modelo predatório de exploração, enquanto o Estado se mantém em silêncio diante de uma emergência climática global”.

A agricultora e dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Divina Lopes, destacou que a expansão do agronegócio e dos monocultivos — especialmente de soja, milho e eucalipto — tem provocado desmatamento acelerado, expulsão de famílias e contaminação do solo e das águas por agrotóxicos. “A agricultura familiar tem sofrido com a desterritorialização e o envenenamento. O impacto é direto na produção e na saúde das pessoas”, denunciou.

Divina também lembrou que os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos no cotidiano das populações rurais e urbanas. “O aumento do calor é insuportável em cidades como Balsas. As escolas mudaram o horário das aulas porque as crianças não suportam o sol do meio-dia”, relatou. Para ela, a ausência de políticas públicas eficazes de combate ao desmatamento e de incentivo à agricultura sustentável agrava o cenário.

Zagallo reforçou que o Maranhão “ignora completamente as metas de redução de emissões estabelecidas pelo Brasil no Acordo de Paris”, que prevê uma diminuição de até 67% até 2035. Segundo ele, “não há planejamento estadual, nem definição de responsabilidades por setor econômico”. E alerta: “Sem ação concreta, a atividade econômica do estado se tornará insustentável”.

Além do agronegócio, o ambientalista denunciou o papel da mineração e da queima de carvão mineral na capital maranhense. “Só em São Luís, três empresas têm autorização para queimar até 1,5 milhão de toneladas de carvão por ano”, revelou. O processo, segundo ele, libera poluentes tóxicos e contamina os peixes consumidos pela população. “Estamos diante de um processo gradativo de adoecimento coletivo”, advertiu.

A dirigente do MST defendeu que a crise climática é fruto de um modo de produção capitalista que visa o lucro acima da vida. Para ela, “não há preservação da natureza sem garantir a existência dos povos que historicamente a protegeram”. Divina propõe medidas como o fim da pulverização aérea de agrotóxicos, a proteção das nascentes e rios e a valorização das práticas ancestrais dos povos indígenas, quilombolas e camponeses.

Ambos concordam que o Maranhão deve ser denunciado na COP30, não apenas por ser um dos maiores emissores de gases do país, mas por representar um caso emblemático de destruição ambiental e desigualdade social. “A denúncia precisa ser qualificada, identificando quem são os verdadeiros responsáveis por essa crise e popularizando as alternativas sustentáveis construídas nos territórios”, concluiu Divina.

A entrevista completa com Divina Lopes e Guilherme Zagallo foi concedida ao programa Dedo de Prosa, da Agência Tambor.

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